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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sonoros… sons diante do nada.

Marcas deixadas no chão.
Pisadas sob pés distam do instante.
Ontem foi um dia longo.
A manhã trouxe novos ventos.
A maçã deixada no caminho.
A pedra ficou lavada.
O doido andou só.
A estátua emudeceu.
No ouvido um pingo do tempo.
A cola secou sem tom.
O vento que era bom.
Se foi.
Como as pegadas.
sopro

Muito pequena é a alma da Senhora que só vê pó(s).

Um homem passava por um caminho longíquo. Tinha nele um jardim no meio.
Uma mulher no meio das flores queria o pó delas.
Ele a viu.
- Não pense no pó das flores, pobre coitada, a cor das flores é mais bonita, admire-as – disse o homem.
- É no pó delas que eu sinto prazer – disse a mulher.
- Então esqueça. Da flor tira-se mel, do pó delas, outras coisas. As abelhas sugam por prazer, cheia de venenos. E os transormam. Você não consegue fazer o que elas fazem. Não insista. -  ele retrucou.
- Meu filho , você não sabe com quem fala, não tenho o veneno das abelhas, tenho o veneno dos homens. É do pó delas mesmo que quero, não insista mais comigo - disse a velha cheia de energia, e encerrou o papo.
Foi-se o homem embora, sem voltar seus olhos para o jardim.