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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Meio mundo de rodas, calores e poeiras.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Vistas em lembranças de uma mesa grande.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
OS MORTOS SÃO MEUS VIZINHOS

Elizete Vasconcelos Arantes Filha
Recentemente fui a um velório do pai de uma amiga em uma casa de velórios muito elegante aqui na cidade do Natal. Os amigos, aos poucos foram chegando em seus belos carros, com as suas belas roupas, e com as suas belas palavras de condolências. Como boa observadora, fiquei encantada com o ritual funerário apresentado, tudo era muito bonito, limpo, organizado, muitas flores, muitas faixas de saudades vindas dos quatros cantos da cidade, com nomes de famílias importantes escritas em dourado ou prateado, de certa forma combinando com os demais acessórios. Após o culto ecumênico, todos se dirigiram ao cemitério, não menos suntuoso, um grande espaço afastado da cidade, com muros altos, estacionamento com manobrista, muitas luzes, com uma entrada digna de um condomínio residencial de luxo. No último adeus, após a decida do caixão à sepultura, uma salva de palmas e uma chuva de pétalas de flores. Até ai, nada demais, a maioria dos leitores também já vira cemitério e rituais funerários dignos de enredo de cinema. O que vocês nunca viram é o que vejo todos os dias em uma comunidade esquecida por Deus e pelos políticos, num bairro muito afastado das badalações, do comércio e dos condomínios de luxo, comuns à cidade do sol, em que todos os dias eu passo pela frente, indo e vindo.
Enquanto os “cemitérios de bacana” têm nomes poéticos, como Morada da Paz, Cemitério Nosso Senhor do Bomfim, Paraíso, Pedaço do Céu e outros tantos, em tantos lugares que já visitei. O Cemitério Pajussara, no entanto, está localizado num bairro chamado Brasil Novo. A confusão já começa por aí, é normal os cemitérios serem destinados a várias comunidades, mas esse em particular é centro de algumas polêmicas, pois não há espaço suficiente nem para enterrar os mortos de uma única comunidade, imaginem atender os mortos de tantas. Só sei que o cemitério favorece vários bairros, Pajussara, Brasil Novo, Parque das Dunas, Bairro Novo, República Nova, Pajussara Sítio, Novo Horizonte e outros. Estas comunidades cresceram ao redor deste cemitério e para encurtar a conversa todas se denominam de vizinhos do cemitério, portanto, todas têm o direito de enterrar seus mortos lá.
Bem, o cemitério serve aos mortos e aos vivos também, se alguém quiser achar uma rua, ou um estabelecimento comercial, ou alguém que mora na comunidade, tem como base o cemitério, a conversa sempre começa assim: “Você vai direto, quando chegar ao cemitério você dobra a esquerda”, e/ ou para quem vem de dentro da comunidade sempre sinaliza assim, segue em frente e ao “chegar ao cemitério, dobra a direita” e outra, “vai direto, direto, passa pelo cemitério e ainda vai direto”, na verdade todos têm que passar por este lugar, pois é a entrada para todas as comunidades e a forma mais viável de se chegar à praia de Genipabu, sim, aquela famosa praia com dromedários e que a global Ana Maria Braga, de vez em quando vêm fazer matérias para o seu programa.
Voltemos às comunidades que ainda têm muitos habitantes remanescentes dos empregados de uma antiga fazenda, cujo dono, seu França, como é conhecido no local, antes de morrer, foi deixando as famílias se apossarem e se estabelecerem no local. Ao levantar esta história entrevistei os moradores mais antigos e registrei através de fotografias. A história começa bem antes da época em que foi construído há 60 anos, ou seja, em meados de 1940, primeira metade do século XX, mas há registros orais dos habitantes antigos de pessoas enterradas desde 1900, pois não havia um espaço destinado para os mortos na região e os mesmos eram enterrados debaixo das árvores aos pés de pitombeiras e timbaubas, árvores ainda existentes no local. Mas não eram todos, os brancos eram enterrados em um cemitério pertencente à prefeitura de Extremós município do Rio Grande do Norte e ou no Cemitério Inglês no bairro do Igapó em Natal e, só os negros, eram enterrados debaixo das árvores, pois a maioria não tinha registros ou identificação de existência e não podia pagar para ter “seus últimos sete palmos de terra” e o transporte ficava dispendioso para as famílias.
Na época, o número de mortos era de um ou dois por ano e, às vezes, passavam - se três anos sem haver óbitos. No entanto, com o passar dos anos e com o aumento demográfico e, consequentemente, do número de óbitos, foi necessária a construção do cemitério, com as terras doadas às famílias dos empregados negros. Seu Genival 66 anos - alfabetizado, um dos remanescentes dessas famílias me mostrou o mapa das terras riscando no chão e explicando como foi a sua distribuição dizendo: “[...] finada Batista tinha a maior parte junto com Nanete. A minha parte era essa aqui. O filho de Nanete começou a plantar verdura e legumes no terreno do cemitério, já que tinha terreno sobrando... para venda em supermercados da cidade e para o consumo dos habitantes locais. A covisa mandou ele fechar o negócio, ele abriu ali na frente junto ao rio, o negócio prosperou, muita gente daqui é empregado dele. Ele é um bom patrão” .
Na década de 1970 um vereador do município de Ceará Mirim/RN o Sr. Roberto Varela, na tentativa de angariar votos da comunidade, assume a doação das terras passando em cartório a documentação como sendo o proprietário e doando à comunidade em nome da política. Consequentemente a prefeitura da Cidade do Natal assume a administração trazendo algumas melhorias, como a construção de um muro que delimita o espaço e uma pintura durante a época das eleições. No entanto, essa demarcação das terras também se tornou motivo de disputa já que a prefeitura só construiu o muro utilizando a metade do espaço utilizado pelo cemitério, a outra metade que foi invadida pelo filho de Nanete, ficou de fora e não mais passou a ser considerada como espaço pertencente ao cemitério. Sendo apossada posteriormente por uso capeão causando indignação a todos da comunidade vizinha ao cemitério.
Entretanto, logo as terras delimitadas para uso do cemitério foram ficando insuficientes, sendo forçoso diminuir a profundidade das covas e a largura e, em alguns casos, colocar um morto em cima do outro e até de lado, fora das regras ambientais que estipula um prazo de três anos entre um sepultamento e outro, já que não há uma divisão de concreto entre uma urna e outra. A situação do cemitério na atualidade vem provocando um desequilíbrio ambiental. Alguns moradores reclamam do lixo que se jogam ao redor do cemitério, restos de caixão de madeira, ossos e até fetos, dos trabalhos de “macumba” com galinha morta, da areia fofa de tanto remexerem a terra, do vento que leva o mau cheiro de carne putrefata até os vizinhos do cemitério, dos moradores desinformados sobre questões ambientais e saúde pública. Conversei com o coveiro, o sr. Jovenilson, Ele disse: “tenho que cavar 1.30 de profundidade, mas não dá, quando chego na metade a areia cai em cima de mim, uso bota e luva de plástico, mas sei que corro risco. Faz 60 anos que enterramos gente aqui, a terra já está contaminada, fede... todo mundo me alerta, mas não posso fazer nada, sou analfabeto, não vou consegui outro meio de vida”.
Recentemente a área que estava destinada para aumento do cemitério foi vendida ilegalmente e o novo proprietário iniciou a construção de um condomínio residencial, ficando muro a muro com o cemitério. Os lideres comunitários responsáveis pelo cemitério solicitaram a desapropriação do terreno à prefeitura local, as casas que estavam em construção foram interditadas e proibidas novas construções. Mas até então a prefeitura não liberou o terreno para uso do cemitério e segundo o administrador do local o sr. Arapuan José do Nascimento, “[...] quando o cemitério era particular, os moradores tornavam organizados. Depois a prefeitura assumiu, virou bagunça. Já solicitamos mais terrenos, mas a prefeitura se nega, tem terreno ali do lado, mas a prefeitura não quer pagar por ele, o negócio é colocar um defunto em cima do outro, mesmo fora de tempo. Se morrer duas ou três pessoas da mesma família em curto prazo, a gente abre a cova e bota o morto, quem sofre é o coveiro, que tem que abrir e fechar e levar toda a poeira”.
O coveiro o sr. Jovenilson, inconformado me disse: “ a gente enterra os mortos aqui em qualquer lugar, nos cantos da parede, entre uma cova e outra, onde tiver espaço. [...] Não sei quantos metros tem o local, não senhora”. Houve uma ocasião que eu estava fotografando os túmulos e pisei numa areia fofa, logo o sr. Jovenilson veio ao meu socorro e disse: “moça, ai onde a senhora ta, tem um defunto enterrado, cuidado para não afundar”. É importante dizer que já fazia algum tempo que havia sido enterrada uma pessoa ali e, não havia nenhuma identificação. Voltei um mês depois ao mesmo local para fotografar novos túmulos e no mesmo local onde quase afundei, tinha mais três covas recém fechadas e sem identificação, só algumas flores.
Também existe a contaminação do lençol freático pelo formol e pelas doenças, já que há no local o percurso do rio doce, cuja água é utilizada para aguar as plantações e para dar de beber aos animais. Quando falta água encanada à comunidade, os vizinhos mais próximos utilizam a água do rio para fazer as lavagens domésticas; e esse mesmo rio é utilizado como um lugar de lazer (banho e pesca) para os moradores e comunidades adjacentes. Outra questão que merece ser sublinhada é que a delimitação como área urbana só acontece na região que fica ao lado do cemitério, atravessando a rua já se distingue como área rural, possuindo todas as características. Uma das consumidoras de hortaliças da região confidenciou: “várias famílias sobrevivem da plantação de verduras, não queremos que eles saiam daqui, o que queremos é que o cemitério seja fechado e abram outro espaço para os mortos em outro lugar”.
Os vizinhos do cemitério reclamam da situação, mas não sabem a quem mais recorrer, haja vista o descaso da prefeitura e de alguns lideres comunitários que querem tirar proveito próprio: “[...] a gente não agüenta mais a falta de respeito com os nossos mortos. Esse trabalho que a senhora tá fazendo vai ser bom para despertar esse povo que não tem amor nem consideração. Eu tenho uma filha e um neto enterrado lá, cuido do túmulo deles e sei que também um dia vou ser enterrado junto com eles. Quero que o cemitério seja preservado. ( Sr. Genival – 66 anos). Lembrando aos leitores que esse terreno de toda essa controvérsia é o mesmo que já tinha sido doado há 60 anos atrás e que foi invadido ilegalmente para plantação de verduras e depois apossado por uso capeão, que posteriormente foi vendido para construção de um condomínio residencial e agora os moradores estão querendo que a prefeitura compre-o de volta. A prefeitura nega-se a comprar, pois não quer pagar o valor exigido e o conflito continua. Esses problemas atípicos a um cemitério, que até então acreditava-se ser um lugar de paz vêm interferir na auto-estima dos moradores adultos e dos jovens e crianças que são exatamente os vizinhos do cemitério, que ao menos na morte, gostariam de ter um pouco de paz e até um pouco de conforto.
Fontes: pesquisa oral com os vizinhos do cemitério Pajussara.
Fotografias de autoria da pesquisadora
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Lições básicas de convivências e aprendizados.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Iniciando um fim
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
O cara de passagem
Vi um homem sentado no banco, de seu lado um elefante
Mas, o detalhe esquisito, era uma cuia e uma mala que tinha
Vendia de tudo da mala e a com a cuia pedia gorjetinha
Ele falava que seus objetos eram danados
Quem os levasse ia ter de tudo, até o que não tinha pensado
Uma mulher foi passando e experimentou um produto
Pegou um batom vermelho e voltou ao seu reduto
Um homem banguelo, achou o que precisava
Pegou uma dentadura, e deu logo uma risada
Estes dois casos eu vi na hora
As promessas eram de muito beijo pra mulher e de carne pro destentado beiçola
Mas o homem da mala e da cuia advertia
Esses poderes mágicos só duram um dia
No dia seguinte eu estava de novo lá
A mulher toda feliz, disse que cansou de tanto beijar
O beiçola banguelo tinha até engordado
Agradeceu dizendo que tinha comido dobrado
No outro dia eu tava lá novamente
O homem de mala e cuia tinha seguido em frente
A mulher de batom tava triste desesperada
Disse que seus beiços tinham caido e ficou desdentada
O homem da dentadura parecia bem magrelo
Disse que na sua casa não tinha mais nem farelo
Aí vendo estas cenas fiquei pensando
Esse povo acredita em santo que fica viajando
De mala e cuia na mão pedindo trocos por objeto
Deviam ter desconfiado que aquilo era coisa do sai de reto.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Solidários em ação
Nossa organização hoje em caráter de solidariedade as vitimas da Aids, se engajou nessa campanha maravilhosa, muito importante para todos nós.
Estamos todos aqui reunidos em nome das milhares de vitimas dessa doença que já destruiu muitos lares em todo o mundo.
Com a presença de todos voces neste momento, angariamos fundos necessários a sermos reconhecidos como doadores Classe A da campanha.
A imprensa vai dar corbetura total ao nosso evento, nossas vendas vão alavancar no próximo período.
Não deveria estar aqui dizendo isto, mas temos que ver o lado mercadológico, afinal, isto é o que mantém voces e suas familias felizes, nosso negócio precisa de promoção.
Voces com seus ingressos puderam assistir o show dessa banda incrivel que acabou de tocar. Comeram tudo de bom que temos em nossa cultura regional, as melhores bebidas foram servidas, e renderam muitas risadas animadas. Além de sobrar muito dinheiro para nossa campanha.
Obrigado amigos, voces foram demais, agora deixemos entrar os convidados principais, aqueles que fazem parte do enorme grupo de pessoas a que nossa grande festa destinará a doação. Dou a festa por encerrada, me retiro depois de voces verem uma minúscula parte das pessoas a quem ajudaram.
Os convidados vips, começam a passar mal, alguns até vomitam e desmaiam diante da cena, e da presença das vitimas da doença. Mas disfarçam.
Batem palma, e cantam uma cançao da época natalina em que se encontram. O coro sai meio desentoado, meio forçado, tudo para agradar o presidente da organização.
Um dos membros dos funcionários faz um discurso enaltecendo o gesto do organizador do evento, se derramando em lágrimas, é muito abraçado pelos amigos após seu discurso.
Depois do Carnaval.
O patrão chateado reclama:
- Bonito não é seu Moço, 14h00, isso lá é hora de chegar, falei que o trabaho hoje começava de uma hora, desde a sexta-feira passada. Como você vem se apresentar agora?
Como era novo no emprego, meio sem saber o que dizer João respondeu:
- Desculpa aí chefinho, cheguei fazem 15 minutos, estava conversando um pouquinho lá na entrada, com meus novos amigos de trabalho…
Verão 09
Ela em seus pensamentos relembrava cada momento de sua vida.
Seu casamento, seus filhos, tudo o que a sorte levou.
A vida que tinha era bem normal, trabalho, familia, lazer.
Um mistério apareceu em sua vida, e ela quis desvendar, toda a sua desgraça começou ali.
Suzana começou a visitar-lhe diariamente. Era uma amiga de um curso de digitação que ela começou a fazer haviam uns três meses.
Ela a achava uma mulher bonita, elegante e poderosa.
Lhe intrigava as sensações que tinha quando Suzana estava por perto.
Suzana não falava muito em suas visitas, ficavam assistindo televisão e comentando as cenas que viam, se detiam a isto. Depois dos programas na tv iam estudar um pouco das apostilas do curso.
Marlene, um dia no período da tarde, foi à casa de sua amiga, pensando em retribuir suas visitas. Era uma sexta-feira de tarde. Já havia cumprido sua jornada de trabalho.
Deixou suas duas crianças com a empregada, ligou para o marido, dizendo que ia fazer compras e se foi.
Suzana vivia numa casa bem ampla para ela, era sozinha, tinha se divorciado há alguns anos e vivia da pensão do marido.
Marlene entrou, a amiga estava de langerie azul, com um copo na mão.
- Oi amiga, seja bem vinda, preparei uma tarde bem agradável para nós. Peguei um DVD de um show que assisti de forró. Acho que você vai gostar. Temos pizza, espetinhos e um wiskie bom que comprei.
- Tá legal, posso ficar até as cinco horas aqui conversando, aproveitaremos juntas o show - respondeu Marlene.
Deu às cinco horas, Marlene se despediu da amiga e agradeceu a tarde maravilhosa que passaram juntas, marcando outras.
Deu uma circulada pelos quarteirões perto de casa, vinham-lhe recordações dos momentos e pensava na vida.
O casamento e suas relações com o mundo pareciam desmoronar desde que viu uma vida nova inspirada na da amiga.
Foi para casa, enfim.
Ela nunca saia a tarde e demorava tanto. As saídas eram rápidas, nas vizinhanças. Náo costumava deixar seus filhos em casa, longe dela…
Ela entrou, ele a beijou, e sentiu o cheiro de bebida, discutiram sobre a atitude dela, passaram a noite brigados.
Daí para a frente, tudo mudou, via sua família de modo diferente. Não entendia, mas se sentia dominada por suas novas escolhas.
Repetiam-se as confusões, na sua casa, ela ficou viciada, tentando se distanciar de seus desejos, seu marido já não a entendia mais.
- Oi Suzana, demorou, já tomei três latas aqui sozinha, o que vamos fazer hoje à tarde? - Disse Marlene, alegrando-se com a chegada da amiga.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Filosofia dos Amantes.
Ela estava ali muito sofrida, magra, o coro e o osso. Estava prestes a cumprir sua sina. Tinha um pouco mais dezoito anos.
Não tive coragem de abrir a boca, para consolá-la, sabia bem o motivo de ela estar naquele estado. Não encontrava um jeito para ampará-la sem odiar o que eu sabia.
Ana era uma menina linda, uma criança ainda, cursava a sexta-série quando tudo começou e a deixou assim.
Ao sair da escola numa sexta-feira, umas colegas suas lhe convidaram para ir à uma lanchonete nas vizinhanças da escola. Foram ela e mais duas amigas.
Ana pediu um hamburguer, no que foi acompanhada pelas outras, e uma jarra de suco para acompanhar.
Chega Márcio na mesa (um colega da escola) e as convida para sairem, já eram seis e meia da noite. As garotas a principio rejeitam a ideia, mas Sofia, como era mais atirada convenceu as outras a irem. O rapaz entra no carro com suas acompanhantes e saem da lanchonete para curtirem com dizia o "amigo", a noite.
Dez horas da noite, estáo todos altos pela bebida em um bar, o garoto tem uma idéia, quer apresentá-las a uma prostituta amiga sua, do bairro em que eles moravam. Já sem censura, elas topam.
Sílvia (a prostituta) vendo o estado de todos, depois de muita conversa, falou da sua vida e dos prazeres. Com o apoio de Márcio as convence a prorrogar à noite. Ia ganhar a sua grana de Márcio com isso, e Márcio ia ter uma noite cheia de aventuras.
Entram num chalé em uma praia longe do centro da cidade. Já rolava uma preocupação delas com suas famílias ao entrarem na casa, no que foram estas logo desfeitas pelo amigo e sua colega.
Perto da meia noite depois de um "tempinho" e algumas diversões, elas pedem para voltarem para suas casas, acabam a brincadeira e se vão.
Aquela festinha passou rápido, mas ali estava começando uma outra vida, bem longa e cheia de insanidades para os outros, porém, cheia de muitos prazeres para eles.
Depois dali virou hábito as festinhas privê. De vez em quando entrava algum ou alguns novos convidados, mas eram logo advertidos que aquilo era sigiloso, ninguém de fora do grupo, a não ser quem eles chamassem podia ter conhecimento.
Umas "pimentinhas" também entravam, nas festinhas para dar um gostinho diferente.
Minha prima certa vez, havia uns dois anos atrás, abriu o jogo comigo, ela confiava muito em mim. Contou-me o porquê da vida dela ter se transformado em um inferno, que já não suportava mais e decidiu contar a alguém.
Agora ela estava ali. Eu a olhava e me sentia culpado de não ter dado um jeito naquela situação. Ficava sentindo as dores de ver uma pessoa, que eu amava, como se vivesse comigo, o tempo todo, dando seus últimos suspiros.
No meu egoismo, achei que ela seria capaz de ultrapassar aquele período de loucuras em sua vida. Eu mesmo já tinha tido uma experiência parecida com a dela, e tirando por mim, vi a solução só nela, por ela mesmo.
Mas, não houve recuperação.
O sepultamento, mais de seis meses após a visita foi rápido. Era um dia de muita chuva.
Eu saio com meus pais e minha família, após a cerimõnia e vejo de longe, os companheiros dela, que não participaram de perto do adeus a Ana.
Estavam na calçada reunidos conversando e chorando. Talvez vendo na cena, um retrato para não se lembrarem nas suas vidas.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Adalício
O homem tinha perto de 40 anos e três casamentos infelizes para se lembrar.
De noite ia aos bares na praia, guardar os carros dos grã-finos do bairro próximo ao seu.
Esperava os homens pacientemente retornarem aos seus carros, após aproveitarem bastante suas noites, jogando, bebendo ou dançando nas casas noturnas da região. Quanto mais bêbados os caras estivessem, melhor para ele, ele pensava, a gorjeta era mais gorda.
Fez três meninos na vida.
O primeiro foi de um casamento, quando tinha 25 anos, só deu tempo do menino nascer, a mulher quando descansou, passou apenas três meses com ele, e voltou para um namorado antigo, que decidiu assumir a bonitona, mas em casas separadas, o cara achou melhor, para não perder a pensão pelo bebê do Adalício.
Uns tempos depois ele variou de novo, viu uma negrinha bem roliça e pimba, apaixonou-se, outro filho, teve dois anos de convivência e mais outro terço de seu pequeno salário foi embora. A lei era clara, um filho, um terço como uma pensão.
O homem resolveu dar um tempo, ficou quieto só namorando, sem se juntar e conviver com ninguém, apenas no seu trabalho de motorista de ônibus, já meio agoniado.
As pensões eram sagradas, os filhos só o deixavam com um terço de seu suor mensal. Não sobrava quase nada para ele.
O homem estava enlouquecendo.
Um certo dia atravessou o semáforo de um cruzamento no vermelho, para não perder tempo na corrida, ia bem ligeiro, encheu um caminhão que vinha pelo cruzamento bem no meio. O estrago foi feio. Dois rapazes que vinham sobre a lona do veiculo foram arremessados do lado, cairam com a cabeça no chão e faleceram. Uma passageira do ônibus danou a cabeça no encosto da frente e teve um derrame, morreu no hospital.
Aposentaram seu Adalício aos 36 anos, por invalidez, problemas emocionais, imperícia na profissão, foi o laudo.
Ele mudou-se da casa que morava para um quartinho de uns 70 Reais, e uns tempos depois se engraçou de uma coroa de us 40 anos. Das vizinhanças.
Foi pior, a mulher sabendo que ele tinha uma aposentadoria, disse, esse é meu, vou dar uns tratos nele, e faço um menininho para poder receber os benefícios pela criança. Dito e feito, mais um terço.
A aposentadoria, não lhe pertencia mais em nada.
Pronto, o cara como no início do nosso papo estava nesta situação, muitos namoros e três filhos, ficou sem salário, as noites lhe serviam para lhe dar o dinheiro que precisava para viver.
As mulheres, só as que ele via, descendo dos carros que guardava na rua. Cada uma mais bonita que a outra, e muita grana para aproveitar nas noites.
Adalício, o personagem, era um prisioneiro, das ciladas que armou para si mesmo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Que cidade ein? Demais, segue o registro .
Cansou com o anterior?
Tambeei de novo ...
Tamba - úúúúúúú
Gostosa de ver
Concordam?
Curta, com som e tudo mais !!!
Exagerei? Não, foi outro erro básico, tou fora, putz.
O certinho é esse:
Desculpa, foi sem querer.
Tudo certo?
Xau, ok?
Tabom, eu acho, até dispois, amizades, byes .
Vídeos, vídeos, vídeos, nada demais, nada mais.
Sempre pegam agente, até eu caio.
sábado, 9 de maio de 2009
Uma flor na memória.
Conheceu uma aluna legal, Rafaela, ficou louco por ela.
Rafael ficava toda a semana ansioso pela chegada da noite de sexta-feira. Depois da aula, ia sempre à casa de Rafaela, aproveitar um dvd bem legal junto dela, comendo pizza e tomando refrigerantes.
Eles ficaram um tempo juntos, mas se separaram, foram so três meses de intensidade.
O rapaz após o fim do relacionamento caiu em desespero, começou à cair na noite, aproveitando tudo o que ele achava que era bom.
Numa dessas suas escapadas, ao atravessar uma rua, foi atacado, roubaram-lhe a carteira, eram dois meninos.
Os pirralhos eram bem pequenos.
Rafael ia comprar baseados para passar uma noite com uma mulher bem massuda que conheceu.
Ele estava ansiosíssimo para comprar os cigarros, pelos dois motivos.
Sentiu a falta do que aquilo ia fazer para ele e não contou conversa, correu doido atrás dos garotos.
Pegou o que estava com a carteira e o derrubou no chão. O outro menino fugiu numa carreira.
O garoto tirou uma faca, Rafael conseguiu tomar da mão dele e esfaqueou-lhe. O pirralho morreu.

Um cara que passava de moto devagar viu a cena, conhecia o garoto, freiou e avançou em Rafael.
O cara era bem forte, segurou ele. O amigo do cara desceu e pelo celular chamou a polícia.
Ao chegarem os policiais ouviram a estória dos dois, que entregaram Rafael a eles, junto com a faca ensaguentada.
- Esse homem é louco - disse o homem, deve ser um neo-nazista e ter raiva de pivetes. Pegou esse garoto que você vê aí sem vida, e o esfaqueou sem razão nenhuma - falou para o policial gritando.
- Isso é mentira, eles estão querendo me prejudicar - disse desesperado Rafael.
Rafael não sabia que os caras conheciam o garoto, e muito menos a polícia.
Levaram Rafael para a delegacia, que foi à julgamento e depois condenado.
Passou muitos anos preso. Perdeu o resto do gôsto que tinha pela vida. Sua única companhia era a lembrança do romance que teve com a sua dôce Rafaela.
Amigos, nada mais.
Deitei na areia, era uma noite linda de lua.
Via o brilho da cidade longe, luzes acesas, em ruas, casas, edifícios. Fiquei olhando aquilo, e entendi o que estava ali fazendo, fugindo.
Tirei um cochilo sem querer após uns copos, quando acordei, não vi mais o barco na praia.
Fiquei assustado, aquele lugar estava à uns três quilometros da cidade.
Não tinha mais
o que fazer, pensei. Não era muito bom de nado.Tinha comido os camarões todos, ainda restava a bebida.
Já era perto de três horas, longe ainda de nascer o dia.
Bebi mais um pouco, cai no sono.
Acordei com uns gemidos perto de mim. Mas, como estava um pouco longe as duas pessoas não notaram.
Vi que eram dois caras, chegaram num barco à remo. Dava para ver na penumbra.
Estavam transando e fumando um baseado, pareciam estar curtindo bastante.
Não me viram, eu estava por trás de uma pequena elevação na areia.
Pensei se podia confiar neles, e pedir para me levarem de volta à cidade.
Levantei e fui ao encontro deles, tomaram um susto de ter sido pegos nus e transando.
- Ei cara o que você está fazendo aqui? - Perguntaram.
- Meu barco foi levado pela maré, fiquei só nessa ilhota.
- Nossa! Quer jogar nosso joguinho?
- Não sou chegado, amigos, mas podem continuar, só quero voltar pois já está perto de amanhecer, e se perder a carona com vocês, não sei se terei uma chance dessa outra vez. - Eu disse.
Eles continuaram bem à vontade comigo por perto, e eu ficava olhando a troca de carícias e as tragadas dos dois.
Eu tinha adormecido já meio bêbado.
- Vamo nessa colega já amanheceu, acabou nossa brincadeira, vamos voltar à realidade.
Chegamos na cidade, e nos encontramos muitas vezes depois daquela noite, ficamos amigos, os caras só brincavam quando estavam longe. Na cidade não. Nossa comida e bebida predileta era camarão, regado a vinho branco.
sábado, 25 de abril de 2009
Línguas insossas.
A fuleragem começa aí.
Fez algo fora dos padrões, tem uns lingua-torta para te matar.
O tal do lingua-torta deve a ter cheia de sêbo.
Não aguentando o rabujo de semelhante coisa dentro de sua boca, ele tem que por ela para fora, balançando, mesmo feia e suja como ela é.
A seboseira do lingua-torta ajuda as gatonas a combater coisas que elas não curtem muito.
Assim, se a pessoa vê um pau caído no chão, ela logo pensa, caiu de podre.
O lingua-torta vendo isso não só pensa, como espalha a notícia pela comunidade circunvizinha.
- Olha a árvore como está frondosa, nem se ressentiu da perda daquela coisinha no chão.
A notícia daí para frente começa a circular, na geral.
O língua-torta depois que se aliviou, fica só na tocaia, vendo seu sêbo circular.
Ele com esta, ganhou seu dia, vai esperar outra oportunidade, bem ansioso para inundar o mundo com seu gostinho especial, novamente.
Pau, pau, beijo, beijo.
Até.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Bonde 76, a turma do furacão.
Toda festa no bairro contava com sua ajuda. A turma ia ao delírio com ele na pick up, derramando sons nos salões.
Ele alugava tudo baratinho, gostava de ver as festas, e tudo o que rolava quando sua parafernália entrava em ação.
Vieram morar na rua dele uns novatos. Viram naquele homem simples e alegre, de uns 30 anos, mais ou menos, uma chance de fazerem grana.
Ele era um cara legal, tinha técnica no manuseio de seus instrumentos, e todos curtiam muito tê-lo em seus assustados (como se chamavam as baladas).
O problema era que o cara apesar de manjar bem, de sua arte, era bobo com dinheiro.
Ganhava pouco nas festinhas, mal dava pra manter os custos para ter sempre novidades pra tocar, cuidar dos equipamentos, quando apareciam problemas neles.

Os homens moravam numa casinha de apenas um quarto, eram pessoas da noite da cidade em que moravam, vieram aventurar fazendo festas nesta, e no dito bairro.
Na primeira oportunidade de falar com o DJ, propuseram à ele uma grana para uma festa que queriam promover. Ele topou. Adorava novidades e público novo. Achou boa a proposta dos novatos. E os planos da noitada que iam fazer com ele (DJ), tendo o nosso artista carta branca em tudo.
A festa seria para mais ou menos 250 pessoas, bem folgadas no recinto, com tudo de direito.
Um galpão perto dali seria bem decorado, com coisas boas e bonitas, além de baratas, óbvio.
A imaginação seria o básico, para tornar luxuosa aquela cena noturna.
Coisas simples, mas que tornassem o ambiente psicodélico, alucinante aos olhos dos frequentadores.
Muito vermelho, azul e amarelo. Luzes neon em abundância. Gases expelidos de vez em quando, não tóxicos, claro. Banhos de espuma, para dar um toque sensual.
A noite chegou. Os vizinhos novos, prepararam uma festa inesquecível. Não estava faltando nada.
As garotas dançavam muito e bebiam. Suadas, de blusas pregadas no corpo, os caras piravam vendo elas. Enchiam-se de birita. Era um desmantelo grande.
Não tinham problemas - os organizadores e seus comandados, apesar da liberdade total dos dançantes.
De vez em quando - nosso amigo, colocava no som para tocar umas cinco músicas de sua fitoteca e caia na dança também.
As meninas as vezes o cercava, em quatro ou cinco, e dependendo do agito, até formavam uma roda, com ele no meio, ele dançava bem louco, para elas.
Os sócios organizadores ficavam olhando satisfeitos, com a grana que cobraram pela entrada, e pela animação que rolava. Foi um sucesso a primeira festa, embalada pelo novo amigo.
Já no final, perto de amanhecer o dia, pouca gente restava, no galpão, alugado.
Rolava um som maneiro e os casais dançavam coladinhos. Havia neles o cheiro de suor, de uma noite intensa. Propostas aconteciam entre os últimos da festa, para um cafezinho íntimo.
O DJ viu que os últimos que saíram, seguiram agarradinhos até seus carros, parecendo ter esperado aquela oportunidade por toda àquela noite.
Como se as experiências anteriores na noite, lhes tivessem reservado as melhores escolhas.
Os testes, por sorte ou decisão chegaram ao fim. Formaram-se casais sedentos por um local calmo e diferente, distante daquele barulho, reinante no ambiente.
Quem se deu melhor pós-embalo é um mistério. Mas os últimos com certeza experimentaram mais, o agito, dançando, bebendo, paquerando, curtindo.
Para o tocador, isto parecia o melhor. Depois da exibição dos "bailantes", mostrando seus dotes no balanço das músicas, uns para os outros, em um frênesi sensual. Ele parecia os ver, em seus momentos íntimos, pós-festa, se tocando a sós, talvez ouvindo outros sons, mais românticos.
Ele experimentava as reações nos ouvintes, durante as festas, postas com todo gosto e cuidado em seu som, para alimentá-los, transmitindo desejos eróticos neles. Era como que com a sua música e luzes, enviasse um fogo para arder nos casais. Esse era seu maior prazer, nas noites, em que trabalhava.
Sete horas da manhã, estava nosso amigo DJ, sozinho no seu quarto, contando a grana que recebeu da festa, e fazendo planos para usá-la.
De vez em quando, apareciam como que diante dele, no teto escuro sobre sua cama, janelas e portas fechadas, os cheiros, corpos, perfumes, e gostos da galera. Cenas de uma noite que apontava para outras.
Quando tu pensa em bb tu pensa em quem? Patinhos ou leões?
Fiquei triste e nervoso com aquilo.
Fui à bica, me descontrair.
Quando eu estava no tanque dos jacarés. Encostou um Mercedez, último tipo, bem pertinho de mim.
O carrão era de um verde perolado, brilhantíssimo. Pareciam, cada ponto de sua pintura ao sol, estrelas.
Uma mulher coloca primeiro seus sapatos dourados de fora, vejo por baixo da porta ela tocando o chão. Bico bem fino e pontudo.
Ela abre bem a porta, aparecem depois suas pernas, lindas, branquinhas, descobertas até pouquíssimos palmos abaixo da cintura. Numa saia curtíssima num preto que parecia uma napa luminosa.
Alguém que a observava de outro ângulo deve ter visto uma cena paradisíaca. Vi os olhos da pessoa se arregalando quando a mulher abriu a porta, os olhos dela endureceram, ficaram imóveis, pareceu ter tido um choque.
O homem que estava em sua companhia, desceu e foi até a mala. Tirou um carrinho de bebê, era outro sonho de consumo familiar. Franjinhas azuis caindo, descendo pela cobertura esverdeada, com bolinhas amarelas, ursinhos estampados, tudo muito bem almofadado.
- Venha logo docinho, nosso Rafael parece agoniado, acho que viu aquele macaquinho na jaula, tá morrendo de vontade de ver ele mais de perto - disse a sua rainha.
- Mas "bem", estou se
Eu não aguentei aquele palavreado cheio de romance ideal, em uma família. A conversa, me pareceu cheia de artifícios, e bem ilustrada, para uma relação, que fosse sincera.
Naquele instante, lembrei da beleza que tinha na memória. Bem infantil, eu acho.
Rosa, uma coleguinha que tinha quando eu contava apenas com doze anos, jurou me amar pela vida toda. Morava em uma esquina eu na outra, do quarteirão.
Ela tinha dezesseis na época. Era baixinha, devia medir um metro e meio de altura, eu contava com apenas doze anos, já tinha por perto de um e oitenta de altura. Dizia ela sempre que eu era belo demais, que ela não me merecia. Falava que era doida por mim.
Eu não falava isso. Apenas me dava sem palavras e provava de nossa relação intensa.
Uma vez, no frio de meu quarto, após nos amarmos ela disse que viveria na miséria ao meu lado, se fosse o caso. O princípio de nossa relação, seriam beijos, abraços e carinhos, sem fim. Que a brasa que sentíamos quando estávamos juntos, nunca se findaria. Nosso romance seria eterno.
Mas um ano depois, dessa confissão, que guardei a data na porta de meu guarda-roupa, escrevendo, Rosa morreu.
Senti todo o frio daquela perda. Uma dor de morte.
Meus olhos secaram, não chorei por ela.
Esse flash de lembrança agora, me fez gelar.
Juntando as coisas, pensei do amor, que ele precisa ser complementado por algo mais nesse mundo, com outas emoções, além de atos quentes e libidinosos de nossa condição humana. Ele em matéria bruta, em um casal, se apresenta em proveito carnal e espiritual, correlacionados com o que eles sentem do mundo (os amantes), e esquecem juntos, na cama.
O acúmulo disto, dá base para um caminho à dois. Proveitos, provas, pretenções, privações, progressos ...
Vi nas cenas de hoje que nenhuma herança de uma relação, se prolongaria neste mundo, sem complementos.
A fundação ficaria apenas no primeiro passo, não se chegaria à lugar nenhum. Nenhum docinho da vida, iria os alimentar, só com isto, brasa.
O fel, poderia azedar, estas vidas, facilmente.
A alma secaria, a carne se tornaria degenerada. O amor não vive apenas da carne, nem a carne só da carne, muito menos a carne idealizando um amor, sem viço.
A secura estava nos dois momentos que observei. Envenenados por ambientes diversos.
Fui dormir triste, lembrei dos meus doze anos, e da minha lembrança que secou também.
O sertão vai virar mar, com certeza ...
As dunas, que tantos admiram, não a sentem quebrando, em sua altivez. Só nas bases.
Elas estão elevadas em montes, carregadas para lá e para cá pelos ventos de todos os lados.
Este prazer de ser umidificada, e sentir a força contínua deste movimento, ela não tem.
Ela não sente o sal, que faz a espuma do mar no contato com o solo.
A duna, majestosa, com seus infinetésimos grãos de areia, é seca.
O banho que a torna assim, pode ser que seja a incidência causticante dos raios solares, que não permitem ela conter vegetações.
Se contesse o verde da terra, talvez não fosse levada pelos ventos, e não acumulariam tantos grãos, não cresceriam, se elevando acima do mar.
Isto é um pecado.
Uma natureza, despersonificada, numa coisa muito quente, que não pode resfriar.
O mar, com seu sal, torna dificíl a proliferação do verde, salgando-as.
Mas não é por sua causa (do mar - de forma direta, claro), penso eu, a falta de vida, das dunas.
A culpa mais direta são dos ventos que ao levarem partículas, do seu contéúdo às areias, mesmo elas sendo altas, as deixam sem vida, como são.
Uma coisa para mim, é uma natureza, outra coisa, é outra natureza.
A diferença existe, nestas duas formas naturais, de vida deste mundo, entre tantas outras.
Nós não comemos, pelo menos ainda, montes de areia.
Para quer serve tanto minério? Deve ser para dar grana, direta ou indiretamente, e financiar a nossa sobrevivência.
Quem gosta de olhar sua imensidão, paga para visitar regiões onde elas abundam, gerando receitas à coletividade, institucionalizadas ou não. Pessoas visitando-as, sentindo seu calor, em viagens diferentes, de que estão acostumadas e pertinho do mar, cumprem esta missão, financiando desenvolvimentos locais.
Então, isso é vida, para alguns. Para outros, parece morte, no seco.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Os gaiato mangando dos gayoso e das gaiada de gaia, gaiadoras e gayantes gaiando.
- Mas, Hermes isso é coisa que você faça com sua amiga? Ficar com Cicinho. Depois de todas as coisas que te fiz de bom na tua vida.
- Desculpa amor, mas foi um impulso. Você deve ter notado que sempre senti atração por Cicinho. Aí ontem fui conversar com você, sobre aquele nosso passeio de domingo passado. Cicinho tava só de calção, aquele corpo maravilhoso que ele tem, semi-nú, aí eu não resisti, e muito menos ele, e nos amamos muito. Nem sabia que ele também era afim de mim. Desculpa, mas foi muito gostoso amiga, o momento que passamos juntos.
- Pôxa Hermes, fiquei muito chateada com você, nunca esperei que fizesse uma coisa dessas comigo. Isso não é coisa que se faça nem a um inimigo. E você fez justo comigo, sua melhor companheira de passeios e conversas.
- O pior é que vou te contar agora, desculpa, mas resolvemos morar juntos.
- Não acredito, aquele cara depois de combinar isso com você ainda teve coragem de passar a noite comigo, e me namorar? Vocês são imundos, você e Cicinho seu Hermes. Nunca os perdoarei. Vou embora desta cidade, para esquecer a vida que construí aqui e vocês destruíram.
- Acho melhor mesmo para você, que faça isso Filó, nunca iríamos ter paz eu e meu novo amor, com você por perto. Espero que tenha sorte em sua nova vida, querida. Desculpa mesmo, viu?
- Não sei porquê não tiro a minha vida aqui diante de você. Para você entender o que estou sentindo, de tão profundo corte que vocês me fizeram. Mas tá bom, só desejo sorte aos dois pombinhos, depois da desgraça que fizeram comigo.
Filó se foi, os olhos cheio de lágrimas. Dois dias depois estava em Patos, sua nova cidade, esperando esquecer o desastre ocorrido em sua vida.
Comida
Umas pessoas quando em viagem adoram experimentar a culinária regional do local em que se encontram.Alimentando-se de forma diferente da que tem o costume, no seu habitat.
Por exemplo: paulistas tem muitas opções diferentes em sua cidade. Comida chinesa, árabe, italiana, japonesa entre muitas outras. O carioca adora um feijão preto (come até de noite) com jiló. Claro que faço referência as classes mais populares de lá. Sabe todo mundo, da preferência gaúcha pelo churrasco. Do paraense pelos peixes de seus rios abundantes.
A nossa cidade também produz uns hábitos alimentares diferentes do sul, do norte, do sudeste e do centro-oeste. Mas pelas redondezas nordestinas, não fica tão diferenciado da cultura e arte da degustação regional.
Somos famosos pela carne de sol com macaxeira, banhada com manteiga da terra. Geralmente trazida por nossos irmãos sertanejos para abastecer nossos restaurantes mais frequentados pelos turistas. Além do queijo de coalho claro.
O carangueijo consumido nas barracas da praia é outra iguaria bastante apreciada, acompanhado por uma cerveja estupidamente gelada, cercado por muitas morenas bonitas e maravilhosas.
O nosso mar é muito generoso na produção de seus frutos, dos quais muitos provam de várias maneiras. Agulha, ostra, camarão, lagosta entre outras iguarias abundantes.
Então, por que será que existe tantos sonhos do além, se temos tudo de bom por aqui?
Cabe a nós ocupar o espaço do lado de nossos amigos forasteiros, e provar de tudo de bom que nossa cidade oferece, sem ficar só na comida, claro.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O Retorno Saturnal, esperado.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Estrela coberta de lâmpadas
Vinha em meu carro voltando do trabalho pela Epitácio, quando de repente passa um burro na minha frente. O animal vinha em disparada, na altura do Bairro dos Estados.
Para não bater no infeliz do animal desviei dele, estava concentrado na visão do danado e não vi um mendigo, na beira da calçada, foi de cheio no capeta que iria me prejudicar mais tarde. O burro escapou.
A sorte que pelo freio que dei, o carro já estava quase todo em desaceleraração.
O cara caiu e apenas se arranhou.
Mas enfezado da vida, pegou uma pedra e danou no para-brisa, tentando me atingir.
Quando o viu quebrado, partiu para cima, eu sai em disparada, sem nem querer saber.
Chego em casa, assustado ainda.
Vou ao banheiro, e tomo um banho demorado, para relaxar.
Já são por volta de sete horas da noite. Ponho meu pijama e vou a mesa jantar.
Ouço a campanhia tocando.
Vou até a porta e recebo toda nervosa uma delegada. Veio pela denúncia de transeuntes, que prestaram apoio ao cidadão, após o acidente, o mendigo estava todo nervoso do lado dela. Esbravejava para que ela tomasse uma atitude.
Meio tonto pela confusão, mostro o carro na garagem, com o para-brisa quebrado. E explico todo o acontecimento do início da noite.
Não deu certo, ela falou que eu não tinha testemunhas e estava errado. O mendigo tinha várias.
Vejam bem por causa de um burro, para não o matar, fui indiciado.
O mendigo está na mesma região. Sempre quando passo lá penso se não devia ter acertado aquele animal, no meio da rua. Enquanto olho o cara do mesmo jeito, na mesma situação, mas que me prejudicou, por um susto.

sábado, 14 de fevereiro de 2009
Atrás das grades, no inferno.
Boa noite amigos e amigas, sou Renato, um pobre coitado relatando um triste acontecimento aqui deitado nesta cama fria, em uma cela cheia de gente perigosa.
Como devem saber, vou falar de forma direta sobre uma puta ( = culpa ) que carrego comigo há muito tempo.
Eu era cercado de amigo(a)s, vivia de bar em bar na minha cidade com vários companheiros, aproveitando o bom da vida.
Não bebia, aproveitava as baladas sóbrio. Numa dessas noites, meus amigos ainda não tinham chegado, eu inventei de dar uma volta entre as mesas, para paquerar. Acendi meu cigarro enquanto andava.
Ao passar por uma loira muito bonita, olhei para ela e ela me pediu um cigarro. Dei-lhe um e acendi.
Um cara apareceu de repente, bem nervoso e disse que eu saisse de perto da garota, e não ficasse cantando ela. Contei o que tinha acontecido. Ele me chamou de mentiroso e me esmurroui. Surgiram muitos amigos dele, de repente.
Esmurrei o safado. Todos seus companheiros de farra ficaram enfurecidos. Descontrolados e drogados ou bêbados pegaram pesado. Eu todo machucado, já não tinha reação.
De repente, vi um revólver dentro da calça de um deles. Peguei-o, o cara partiu pra cima, para recuperar. Atirei na cabeça dele. Caiu sangrando e se batendo no chão.
O infeliz que foi defender a mulher, viu o amigo morto e veio para cima. Outro tiro certeiro desta vez no peito. Já era o cara, deve ter atingido o coração.
Fui julgado e condenado a mais de trinta anos de detenção. Por ter me defendido dos arruaceiros.
Para terminar esta é a puta que eu pago há mais de dez anos nesta cela. Deve-se a na época eu ter um único vício, o cigarro.
Aliás tinha outro, o convívio com a sociedade resplandencente e brilhante de minha linda cidade. Compartilhava com todos as diversões e lazeres noturnos abundantes na minha juventude.
Há poucos anos a infeliz, que não teve nada haver com a brutalidade dos doidos, me visitou e lamentou tudo o que ocorreu. Numa única vez vi sinceridade nela e resolvi esquecer aquela noite triste.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
LOMBRA
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
No mínimo, nada.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Tattoo
Um brilho no olhar, reparei em você. Via nele o reflexo da água azulada do lago, junto a nós. Nos seus olhos o reflexo eram o de luzes elétricas neon, que no lago vinham de um letreiro comercial, que o iluminava, piscando.
Foi assim que vi você, ali sentada. Sentimental, como se tivesse uma carência qualquer. A boca pintada de vermelho, a visão mirando o infinito. Eu pedi a mim mesmo que você deixasse-me uma marca, em minha camisa branca, social.
Quando a música parou. Fui ao banheiro, descarregar um pouco das três cervejas que havia bebido. Voltei e não à vi mais. Tocava em outro carro uma música feia e barulhenta. Uma mistura de sons de sanfona, teclado, guitarra e outras coisas mais. Você ja não estava mais na mesa.
Só me restou ir até o desconhecido, que havia posto a música em seu carro, quando senti tua falta.
Pedi à ele, que a colocasse novamente. Num gesto solidário, ele colocou. Tatuagem, minha predileta.
Gigante e Sábio
No outro dia ele voltou. Rosto triste e abatido. Quase chorando. Notei pela fisionomia que ele não estava bem.
- O que houve Mustapha?
- Minha mãe faleceu ontem pela manhã, logo cedo. Foi enterrada à tarde. Ficamos o dia todo em agonia em casa.
- Meus pêsames Mustapha, sinto muito.
Ele prosseguiu no seu caminho. Mas continuava sempre dia-a-dia, percorrendo nossa rua. Só faltou no dia do falecimento e enterro de sua mãe.
Fui notando, que o garoto, já não se vestia do jeito de sempre. Estava com um aspecto diferente, meio maltratado. As cocadas não tinham a qualidade de antes. Algumas vezes até azedas.
Falei para ele, que o seu produto, já não estava tão bom, inclusive sua aparência. Ele disse que após o falecimento de D. Francisca, sua mãe, as coisas tinham piorado muito na sua casa. Ela era que providenciava tudo, para ele, cuidava de suas roupas e fazia as cocadas que ele por saber que eram boas, tinha muito orgulho em vendê-las. Disse ainda que sabia que o produto que vendia, já não era tão bom. Tinha consciência disso. Mas mesmo assim, sem ter gosto em fazer, por ter consciência desses problemas, continuava, pois precisava do dinheiro.
Passou-se uns dois meses, o pai de Mustapha, já tinha posto outra na casa dele. Uma criatura que chegava perto do que era D. Francisca, e o melhor, tratava muito bem os garotos, e começou a ajudar Mustapha em seu negõcio.
E, la vinha Mustapha, pela rua novamente, de roupas azuis, com sua bandejinha de tapiocas. Tudo para nós e pare ele, voltou a ser como era antes. Nossa alegria havia voltado.







