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sábado, 25 de abril de 2009

Línguas insossas.

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Uma forma de combater coisas ruins, para muitos é tocar no assunto que tanto incomoda.
A fuleragem começa aí.
Fez algo fora dos padrões, tem uns lingua-torta para te matar.
O tal do lingua-torta deve a ter cheia de sêbo.
Não aguentando o rabujo de semelhante coisa dentro de sua boca, ele tem que por ela para fora, balançando, mesmo feia e suja como ela é.
A seboseira do lingua-torta ajuda as gatonas a combater coisas que elas não curtem muito.
Assim, se a pessoa vê um pau caído no chão, ela logo pensa, caiu de podre.
O lingua-torta vendo isso não só pensa, como espalha a notícia pela comunidade circunvizinha.
- Olha a árvore como está frondosa, nem se ressentiu da perda daquela coisinha no chão.
A notícia daí para frente começa a circular, na geral.
O língua-torta depois que se aliviou, fica só na tocaia, vendo seu sêbo circular.
Ele com esta, ganhou seu dia, vai esperar outra oportunidade, bem ansioso para inundar o mundo com seu gostinho especial, novamente.
Pau, pau, beijo, beijo.

Até.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Bonde 76, a turma do furacão.

Nos tempos idos de 1976, havia num bairro distante de onde moro hoje, um discotecário, desconhecido do resto da cidade, ele possuia caixas de som enormes, sistemas de iluminação, de muitas cores, luzes negras, além de um globo grande e prateado, que girava abastecido pela corrente elétrica sem tranformador, só no 220 V.
Toda festa no bairro contava com sua ajuda. A turma ia ao delírio com ele na pick up, derramando sons nos salões.
Ele alugava tudo baratinho, gostava de ver as festas, e
tudo o que rolava quando sua parafernália entrava em ação.
Vieram morar na rua dele uns novatos. Viram naquele homem simples e alegre, de uns 30 anos, mais ou menos, uma chance de fazerem grana.

Ele era um cara legal, tinha técnica no manuseio de seus instrumentos, e todos curtiam muito tê-lo em seus assustados (como se chamavam as baladas).
O problema era que o cara apesar de manjar bem, de sua arte, era bobo com dinheiro.

Ganhava pouco nas festinhas, mal dava pra manter os custos para ter sempre novidades pra tocar, cuidar dos equipamentos, quando apareciam problemas neles.
Os homens moravam numa casinha de apenas um quarto, eram pessoas da noite da cidade em que moravam, vieram aventurar fazendo festas nesta, e no dito bairro.
Na primeira oportunidade de falar com o DJ, propuseram à ele uma grana para uma festa que queriam promover. Ele topou. Adorava novidades e público novo. Achou boa a proposta dos novatos. E os planos da noitada que iam fazer com ele (DJ), tendo o nosso artista carta branca em tudo.
A festa seria para mais ou menos 250 pessoas, bem folgadas no recinto, com tudo de direito.
Um galpão perto dali seria bem decorado, com coisas boas e bonitas, além de baratas, óbvio.
A imaginação seria o básico, para tornar luxuosa aquela cena noturna.
Coisas simples, mas que tornassem o ambiente psicodélico, alucinante aos olhos dos frequentadores.
Muito vermelho, azul e amarelo. Luzes neon em abundância. Gases expelidos de vez em quando, não tóxicos, claro. Banhos de espuma, para dar um toque sensual.
A noite chegou. Os vizinhos novos, prepararam uma festa inesquecível. Não estava faltando nada.
As garotas dançavam muito e bebiam. Suadas, de blusas pregadas no corpo, os caras piravam vendo elas. Enchiam-se de birita. Era um desmantelo grande.
Não tinham problemas - os organizadores e seus comandados, apesar da liberdade total dos dançantes.
De vez em quando - nosso amigo, colocava no som para tocar umas cinco músicas de sua fitoteca e caia na dança também.
As meninas as vezes o cercava, em quatro ou cinco, e dependendo do agito, até formavam uma roda, com ele no meio, ele dançava bem louco, para elas.
Os sócios organizadores ficavam olhando satisfeitos, com a grana que cobraram pela entrada, e pela animação que rolava. Foi um sucesso a primeira festa, embalada pelo novo amigo.
Já no final, perto de amanhecer o dia, pouca gente restava, no galpão, alugado.
Rolava um som maneiro e os casais dançavam coladinhos. Havia neles o cheiro de suor, de uma noite intensa. Propostas aconteciam entre os últimos da festa, para um cafezinho íntimo.
O DJ viu que os últimos que saíram, seguiram agarradinhos até seus carros, parecendo ter esperado aquela oportunidade por toda àquela noite.
Como se as experiências anteriores na noite, lhes tivessem reservado as melhores escolhas.
Os testes, por sorte ou decisão chegaram ao fim. Formaram-se casais sedentos por um local calmo e diferente, distante daquele barulho, reinante no ambiente.
Os que se foram antes, talvez pela ânsia de namorar, não experimentaram tanto quanto estes últimos, que restaram.
Quem se deu melhor pós-embalo é um mistério. Mas os últimos com certeza experimentaram mais, o agito, dançando, bebendo, paquerando, curtindo.
Para o tocador, isto parecia o melhor. Depois da exibição dos "bailantes", mostrando seus dotes no balanço das músicas, uns para os outros, em um frênesi sensual. Ele parecia os ver, em seus momentos íntimos, pós-festa, se tocando a sós, talvez ouvindo outros sons, mais românticos.
Ele experimentava as reações nos ouvintes, durante as festas, postas com todo gosto e cuidado em seu som, para alimentá-los, transmitindo desejos eróticos neles. Era como que com a sua música e luzes, enviasse um fogo para arder nos casais. Esse era seu maior prazer, nas noites, em que trabalhava.
Sete horas da manhã, estava nosso amigo DJ, sozinho no seu quarto, contando a grana que recebeu da festa, e fazendo planos para usá-la.
De vez em quando, apareciam como que diante dele, no teto escuro sobre sua cama, janelas e portas fechadas, os cheiros, corpos, perfumes, e gostos da galera. Cenas de uma noite que apontava para outras.

Quando tu pensa em bb tu pensa em quem? Patinhos ou leões?

Um dia ao passar na lagoa, lá no centro, vi uma mulher bem magra com um recém nascido no braço. O neném chorava, a mulher batia.
Fiquei triste e nervoso com aquilo.
Fui à bica, me descontrair.
Quando eu estava no tanque dos jacarés. Encostou um Mercedez, último tipo, bem pertinho de mim.
O carrão era de um verde perolado, brilhantíssimo. Pareciam, cada ponto de sua pintura ao sol, estrelas.
Uma mulher coloca primeiro seus sapatos dourados de fora, vejo por baixo da porta ela tocando o chão. Bico bem fino e pontudo.
Ela abre bem a porta, aparecem depois suas pernas, lindas, branquinhas, descobertas at
é pouquíssimos palmos abaixo da cintura. Numa saia curtíssima num preto que parecia uma napa luminosa.
Alguém que a observava de outro ângulo deve ter visto uma cena paradisíaca. Vi os olhos da pessoa se arregalando quando a mulher abriu a porta, os olhos dela endureceram, ficaram imóveis, pareceu ter tido um choque.
O homem que estava em sua companhia, desceu e foi até a mala. Tirou um carrinho de bebê, era outro sonho de consumo familiar. Franjinhas azuis caindo, descendo pela cobertura esverdeada, com bolinhas amarelas, ursinhos estampados, tudo muito bem almofadado.
- Venha logo docinho, nosso Rafael parece agoniado, acho que viu aquele macaquinho na jaula, tá morrendo de vontade de ver ele mais de perto - disse a sua rainha.
- Mas "bem", estou se
ntindo um cheiro tão desagradável, vindo daquilo ali. Vamos fazer ele esquecer desta idéia. Levemo-no para ver aquele pavão, lindo e cheio de cores. Olha amor, foi só falar no bicho, ele já abriu a sua cauda, que lindo! Ficou melhor ainda para nosso bebê apreciá-lo. Cheio de cores, vai chamar muito sua atenção, ele ficará maravilhado, e a jaulinha não cheira tão mal quanto aquela outra - disse o homem.
Eu não aguentei aquele palavreado cheio de romance ideal, em uma família. A conversa, me pareceu cheia de artifícios, e bem ilustrada, para uma relação, que fosse sincera.
Naquele instante, lembrei da beleza que tinha na memória. Bem infantil, eu acho.
Rosa, uma coleguinha que tinha quando eu contava apenas com doze anos, jurou me amar pela vida toda. Morava em uma esquina eu na outra, do quarteirão.
Ela tinha dezesseis na época. Era baixinha, devia medir um metro e meio de altura, eu contava com apenas doze anos, já tinha por perto de um e oitenta de altura. Dizia ela sempre que eu era belo demais, que ela não me merecia. Falava que era doida por mim.
Eu não falava isso. Apenas me dava sem palavras e provava de nossa relação intensa.
Uma vez, no frio de meu quarto, após nos amarmos ela disse que viveria na miséria ao meu lado, se fosse o caso. O princípio de nossa relação, seriam beijos, abraços e carinhos, sem fim. Que a brasa que sentíamos quando estávamos juntos, nunca se findaria. Nosso romance seria eterno.
Mas um ano depois, dessa confissão, que guardei a data na porta de meu guarda-roupa, escrevendo, Rosa morreu.
Senti todo o frio daquela perda. Uma dor de morte.
Meus olhos secaram, não chorei por ela.
Esse flash de lembrança agora, me fez gelar.
Juntando as coisas, pensei do amor, que ele precisa ser complementado por algo mais nesse mundo, com outas emoções, além de atos quentes e libidinosos de nossa condição humana. Ele em matéria bruta, em um casal, se apresenta em proveito carnal e espiritual, correlacionados com o que eles sentem do mundo (os amantes), e esquecem juntos, na cama.
O acúmulo disto, dá base para um caminho à dois. Proveitos, provas, pretenções, privações, progressos ...
Vi nas cenas de hoje que nenhuma herança de uma relação, se prolongaria neste mundo, sem complementos.
A fundação ficaria apenas no primeiro passo, não se chegaria à lugar nenhum. Nenhum docinho da vida, iria os alimentar, só com isto, brasa.
O fel, poderia azedar, estas vidas, facilmente.
A alma secaria, a carne se tornaria degenerada. O amor não vive apenas da carne, nem a carne só da carne, muito menos a carne idealizando um amor, sem viço.
A secura estava nos dois momentos que observei. Envenenados por ambientes diversos.
Fui dormir triste, lembrei dos meus doze anos, e da minha lembrança que secou também.

O sertão vai virar mar, com certeza ...


A brancura da espuma quebrando na beira-mar sugere que o conteúdo da onda borbulha ao ser agitada em contato com a areia.
As dunas, que tantos admiram, não a sentem quebrando, em sua altivez. Só nas bases.
Elas estão elevadas em montes, carregadas para lá e para cá pelos ventos de todos os lados.
Este prazer de ser umidificada, e sentir a força contínua deste movimento, ela não tem.
Ela não sente o sal, que faz a espuma do mar no contato com o solo.
A duna, majestosa, com seus infinetésimos grãos de areia, é seca.
O banho que a torna assim, pode ser que seja a incidência causticante dos raios solares, que não permitem ela conter vegetações.
Se contesse o verde da terra, talvez não fosse levada pelos ventos, e não acumulariam tantos grãos, não cresceriam, se elevando acima do mar.
Isto é um pecado.
Uma natureza, despersonificada, numa coisa muito quente, que não pode resfriar.
O mar, com seu sal, torna dificíl a proliferação do verde, salgando-as.
Mas não é por sua causa (do mar - de forma direta, claro), penso eu, a falta de vida, das dunas.
A culpa mais direta são dos ventos que ao levarem partículas, do seu contéúdo às areias, mesmo elas sendo altas, as deixam sem vida, como são.
Uma coisa para mim, é uma natureza, outra coisa, é outra natureza.
A diferença existe, nestas duas formas naturais, de vida deste mundo, entre tantas outras.
Nós não comemos, pelo menos ainda, montes de areia.
Para quer serve tanto minério? Deve ser para dar grana, direta ou indiretamente, e financiar a nossa sobrevivência.
Quem gosta de olhar sua imensidão, paga para visitar regiões onde elas abundam, gerando receitas à coletividade, institucionalizadas ou não. Pessoas visitando-as, sentindo seu calor, em viagens diferentes, de que estão acostumadas e pertinho do mar, cumprem esta missão, financiando desenvolvimentos locais.
Então, isso é vida, para alguns. Para outros, parece morte, no seco.