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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Profecia localizada.

Era um belo dia, acordei cedinho. Tinha muitos planos em mente, para aproveitar.
De repente, começou  um tempo de calamidade torrencial, o vento soprava, senti naquilo como se a minha casa, em certeza, fosse desabar. 
Eu estava a poucos quilômetros. Corri de volta.
O inferno estava desabando perto de mim.
Naquele calor de emoções, cheguei suando muito, de volta para casa.
Tive um sonho na noite anterior.
Surgiu na minha cabeça em sonho, antes de eu ver estes detalhes, poderosos da natureza, um indio, falando:
- Meu amor, isto vai passar, voce me entende ... Eu sei, vai passar. você vai ver.
A minha cabeça quase explodia de tanta dor, minha filhinha de dois anos ainda dormia.
Quando voltei, e entrei em casa, veio uma onda, tremendamente grande. A casa caiu.
A corrente de água me levou.
Acordei. O sonho, a natureza, a realidade, desaparecera.
Perdi.
Minha vida acabou...
O índio, foi um sonho, a tragédia que vivi foi real.

Aquele índio não me disse nada, aconteceu de verdade, tudo o que eu vi. Sabia que o índio não amava ninguém, por isso voltei correndo do sonho para casa, e senti o pesadelo, me levar, com tudo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um show anual muito raro.

Haviam dois rios na minha cidade, que iam dar no mar.
A flor que boiava descendo em um era dourada.
A flor que boiava descendo em outro era encarnada.
Eu via aquilo, mas não entendia, como elas só desciam cada uma, de cada cor, em cada rio, até ir dar no mar. Fenomenal aquilo para mim, achava bonito, sem explicação.
Eu quando queria ver as flores, tinha que andar muito, pois os rios ficavam distantes, um do outro, desembocando no mar.
Passei anos admirando, as flores descendo o rio, a cada primavera. Era um espetáculo da natureza para mim, ano após ano.
Eu já adulto ainda ia ver o show, todos os anos.
Um empresário veio de fora da cidade, eu lhe mostrei a beleza única da cidade. Ele viu lucro e resolver trabalhar.
Fez propraganda em todos os lugares, perto e longe de minha cidade. E então a cidade perdeu a paz.
Eram pessoas e grupos de todo tipo, de todos os lugares que vinham ver a descida das flores diferentes nos rios.
Inventaram até uma festa, para que todos dançassem e bebessem, em três dias, brindando o espetáculo das flores.
Cientistas, religiosos, céticos, turistas. Achavam muito diferente cada tipo de flor descer cada uma em seu rio.
Alguem, dentre os visitantes, teve a idéia de ir ver lá onde nascia o rio, para entender e dar explicação aquilo.
O nascedouro dos rios era um local distante do mar, da nossa cidade. e de difícil acesso.
Lá em cima de onde iniciava a descida das águas, viu que ambos os rios nasciam aos pés de uma única árvore, de onde brotava os dois tipos de flores. O sol tocava a arvore de um lado de manhã e do outro lado de tarde. O rio que nascia de um lado levava uma cor, e do outro levava a outra.
A dourada vinha do nascente, a vermelha do poente.
Explicada a diferença, o espetáculo ficou ainda mais famoso, no mundo todo.
Só não houve explicação para a árvore.
Que árvore tinha este poder, de ao sol do nascente e ao poente, produzir esta mudança, na cor de suas flores?
Restava, identificar a árvore.
O empresário, resolveu depois que soube, da causa do fenômeno, plantar a árvore numa grande cidade, com mais estrutura, para o show. Projetou levá-la inteira, e replantar, em um local especialmente preparado para o espetáculo.
O rico homem, a levou, e ninguem viu. A operação foi rápida.
Nós só tomamos conhecimento, pela televisão, quando começaram a surgir as propagandas do novo local do show da nossa grandeza única de cada nova primavera.
Os rios continam correndo na minha cidade, descendo, sem as flores, para o mar.
A árvore morreu na terra que o empresário a levou, longe dos rios de nossa cidade, ela não se acostumou e morreu,sem flores, folhas e frutos, sobraram só galhos, secos.
Este ano subi, fui até a nascente, há um broto nascendo. Vai levar um tempo, para saber e ver se o nosso espetáculo primaveril anual. ùnico no mundo todo, vai continuar.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

De um ponto a outro, ligando-nos em diferentes emoções.

Ventava muito na praia, chovia bastante. Umas meninas acompanhadas de seus parentes, brincavam com seus brinquedinhos infantis, perto de nossa mesa. Estávamos na quadra coberta do nosso clube, a beira-mar, de nossa cidade.
Eu e meus amigos, assistíamos uma prova de formula 1, na televisão. Tomávamos uma garrafa de rum com refrigerante, e torcíamos muito por nosso melhor piloto, ja perto de mais uma conquista de campeonato.
Pessoas ao redor, faziam barulho, torcendo e bebendo como nós.
Já no meio da prova, Marcos que estava prestando mais atenção, enquanto nós conversavamos, se assusta e grita. Nós olhamos todos para a televisão, e lá havia um carro pegando fogo.
O carro havia colidido contra a parede do túnel, e se virara em altas chamas.
Era identico ao do nosso piloto. Ficamos todos apreensivos. Ele era o melhor do mundo. Não era possível que fosse ele a queimar, ali dentro do carro. Após um tempo o som ao redor, nos transmite esta notícia, ao vivo:
- "Assim definitivamente, vemos nosso maior piloto da atualidade partir, se encerra a carreira de um dos mais brilhantes pilotos de todos os tempos deste esporte, o nosso preferido, caros amigos" - narrava assim na televisão, o comentarista, vendo o piloto já sem movimentos dentro do carro, após a extinção do incêndio.
Estávamos muito felizes até então, ia ser mais uma prova de vitória certa, para o nosso ídolo. Não tinha como aquilo ter acontecido, daquela forma. Drástica e repentina. Tomamos todos o mesmo choque. Ficando pasmos diante das cenas instantâneas que assistíamos, testemunhando aquele horror.
Marcos colocou as mãos no rosto e chorava, muito emocionado. Outras pessoas também, demonstravam sofrimento. Não dava mais, tínhamos que sair para outro lugar. A festa ali no clube, havia encerrado para nós e todos que torciam como nós.
Saímos juntos, eu, Marcos e Carvalho. Entramos  no meu carro e partimos para outro evento já marcado para o dia, um festinha. Desta vez com algumas amigas, que nos convidaram para um almoço após a corrida, com um sambinha antes na esquina.
Os outros colegas, foram para casa.
Estávamos meio adiantados para o encontro, já que iámos apenas ao fim da competição. Mas, resolvemos o problema, bebericando até a hora combinada umas cervejas, na esquina do prédio delas. Na roda de samba que combinamos. Quando chegou a hora combinada para o encontro Marcos telefona, para as amigas:
- Marize, já estamos aqui na esquina, vem cá com Sheilla e Vânia. O bar está cheio, o dia lindo, passou a chuva. A roda de samba já está fervilhando, muita gente legal aqui. Estamos esperando. - desligou o celular, nosso colega. Fechou o aparelho, depois deu uma piscadinha para uma morena que passou rebolando perto de nós. Uma danadinha de shortinho cor de rosa, lindo e curtinho.
Nossas amigas chegaram, no ponto de sambar, bem perfumadas e de pernas de fora, bem atraentes. Com  sapatinhos altos de passistas da beija-flor, deixando as batatas bem musculosas.
Nosso dia começara novamente. O sol a esta altura, já perto do meio dia, ajudava, derramando calor em todos ao nosso redor. A roda de samba fervia. A brisa leve amenisava um pouco a quentura do nosso sublime momento a seis, amigos e amigas.

Sumindo no além da branca névoa do horizonte.

Eu, bem devagar, admirava com muita sensibilidade toda aquela bela paisagem, caminhando. Aquilo tudo era muito novo em minha mente. Nunca estivera antes em um local, como aquele.
A névoa dominava o ambiente. Era um claro matinal, frio, com odores deliciosos, ainda sem a presença do sol.
Levantei, ainda vendo a cena fui ao banheiro.
Após a higiene, antes do café, sentei na minha escrivaninha de mogno, e iniciei esta estória que ocorreu em meu passeio, no sonho.
No caminho, durante o passeio encontro um garoto franzino deitado no chão - comecei assim a narração:
- Menino levanta. Estais ai deitado há muito tempo. Estava aqui te olhando. O que faz você aí neste chão frio?
- Desculpa moço, olha a cabeça do meu dedo do pé. Está roxa. Não consigo caminhar. Estou deitado esperando a dor passar.
- Meu filho, veja bem, esta situação tende a piorar. Onde você reside?
- Desculpa moço, não moro em lugar nenhum. Estou só de passagem, no seu sonho. Vou me levantar, procurar um local onde possa descansar um pouco, estou com muito sono. Meu dedo está latejando, minha cabeça dói, sei lá, tá meio ruim, mas vou levantar.
O garoto levantou e se foi caminhando normalmente até sumir no horizonte, mancando um pouco, e coçando a cabeça. Fiquei acompanhando ele sumir, bem longe.
Esta estória se passou naquele lugar em que eu me encontrava no inicio desse texto. O aroma daquele ambiente, ainda carrego comigo. Cheirava a flores silvestres, e era frio, mas era agradável o clima de lá.
Deixo a escrivaninha e vou fazer meu desjejum.
A diarista chegou, enquanto eu comia, sentou-se comigo na mesa, chorando.
- Seu Ivan, não posso trabalhar hoje, estou desesperada.
- Que foi Madalena? Você está com um aspecto desfigurado, foi grave ... - eu disse a ela preocupado.
- Sim senhor. Eu causei um acidente grave, sem querer. Isso está me doendo na alma.
- Nossa ! Não posso crer em uma coisa dessas. Você ?
- Sim, eu. Sexta-feira fui com minha filha comprar umas frutas na feira. Aproveitei e comprei uma peça de carne. O rapaz da banca, estava ocupado, meu conhecido ele. Eu me adiantei e fui cortar um pedaço para mim. Alfredo me deu uma faca, cortei, deu quase um quilo, paquei e voltei apressada. Estava caminhando de volta, quando um garoto tenta me tirar o pacote, puxando com força da minha mão. Eu seguro e puxo de volta com muita força. O menino franzino se desequilibra, e bate com a cabeça no meio fio, desmaiando. Levei ele ao atendimento de emergência, num taxi, por isso não vim para sua casa, como de costume. Fiquei o sábado e o domingo com ele.
- Nossa !
- Ele passou três dias internado, faleceu ontem. O médico disse que ele ia morrer de todo jeito, pois estava com tétano no dedo. Uma ferida feia, seu dedo estava roxo. Desnutrido como era, a infecção se alastrou ligeiro, durante a internação.
Me lembrei do garoto de minha estória, que não se levantava com uma ferida na cabeça do dedo. Contei a Madalena. Ela me olhou séria. E se foi. Ela era meio cismada comigo, me achava esquisito, como se eu carregasse algo ruim em mim. Tipo premonições, sortilégios, advinhações.
Ela ia vir aqui na sexta-feira, não deve ter vindo por conta deste caso.
Acho que o garoto do sonho, quis me dizer algo, querendo me falar o motivo de ela não ter vindo trabalhar na sexta-feira. Talvez ele tenha partido deste mundo, naquela hora em que eu olhava ele se afastando, no horizonte, sumindo longe.
Madalena, me telefonou de noite. Me disse que tinha passado o dia orando, e que se sentia melhor, mais conformada, com o infortúnio do acidente. Que eu não ficasse preocupado com ela, que já estava bem.