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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vôo 8749 JG, chegando ao meu destino, distante.

Via tudo muito pequeno lá bem longe, ao ir subindo.
As árvores amazônicas passavam muito rápido e a subida continuava.
Ao cruzar muitos rios naquele mundo de verdes muitos.
Deixava para trás toda minha segurança infantil para trás.
Ontem eu não estava sabendo desta viagem
Foi de última hora que me puseram no avião, em viagem com destino longíquo.
Já chegava a ver nuvens passando rápido do lado.
Minha barriga roncava.
Não entendi se era medo ou fome. Ou pela presença da aeromoça do meu lado.
De repente, num dos turbilhões aéreos, o avião balança muito, meu sanduiche cai.
A aeromoça se abaixa e o recolhe, dizendo que vai trazer outro daquele para mim.
Eu aos doze anos sozinho naquele vôo sem ninguém que conhecesse, lembro que na mata que ficou para trás nunca tinha comido algo como aquilo.
Hoje vinte anos depois sentado diante desta máquina, escrevo estas cenas e lembro.
Meus pais e toda minha familia havia morrido um dia antes daquela viagem.
Nunca soube o motivo, mas estas visões que conto agora, foram as primeiras que tive antes de chegar aqui.
Quando o avião chegava no meio do caminho, um outro avião militar o derrubou.
Todos morreram na queda, menos eu, que contou o que houve comigo, depois que minha tribo foi assassinada, um dia antes de minha longa viagem.