Imagens residuais de um local distante.
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Uma praça bem iluminada no centro de uma metrópole, tinha um holofote que
apontava um cupido, por cima das copas das árvores, ao redor da imagem, no
alto...
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Sonoros… sons diante do nada.
Marcas deixadas no chão.
Pisadas sob pés distam do instante.
Ontem foi um dia longo.
A manhã trouxe novos ventos.
A maçã deixada no caminho.
A pedra ficou lavada.
O doido andou só.
A estátua emudeceu.
No ouvido um pingo do tempo.
A cola secou sem tom.
O vento que era bom.
Se foi.
Como as pegadas.
Muito pequena é a alma da Senhora que só vê pó(s).
Um homem passava por um caminho longíquo. Tinha nele um jardim no meio.
Uma mulher no meio das flores queria o pó delas.
Ele a viu.
- Não pense no pó das flores, pobre coitada, a cor das flores é mais bonita, admire-as – disse o homem.
- É no pó delas que eu sinto prazer – disse a mulher.
- Então esqueça. Da flor tira-se mel, do pó delas, outras coisas. As abelhas sugam por prazer, cheia de venenos. E os transormam. Você não consegue fazer o que elas fazem. Não insista. - ele retrucou.
- Meu filho , você não sabe com quem fala, não tenho o veneno das abelhas, tenho o veneno dos homens. É do pó delas mesmo que quero, não insista mais comigo - disse a velha cheia de energia, e encerrou o papo.
Foi-se o homem embora, sem voltar seus olhos para o jardim.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Um desfecho muito louco hoje, pós enorme susto.
Dizer que a pulseira era falsa, não foi o suficiente para conter o ladrão na rua.
Me dei mal.
O homem me pediu a bolsa após colocar a faca nos meus peitos. Me tremia toda, mas fiquei sem a menor reação, não podia nem devia fazer nada.
Quando ele saiu numa moto em disparada, sai feito uma louca numa correria sem fim, até ficar exausta. Com medo de perseguição dele ou de outro.
Uns três quarteirões à frente recolho minha bolsa no chão, ele não acreditou e levou minha pulseira de metal, banhada a ouro, com pedras falsas também.
Chegando em casa vou ao banheiro, tomar um banho para me livrar so suor e do calor, além do mal estar experimentado uma hora antes.
Quando saio, nem ponho a toalha, me deparo com o marginal apontando-me um revólver dentro de minha casa.
Ele estava com outra roupa, mas continuava de capuz e com o rosto coberto.
Vi minha pulseira em seu braço num relance.
Ele tinha arrombado e entrado, estava a minha espera.
Havia pego meu endereço nos meus papéis dentro da bolsa que ele jogou fora.
Minha amiga tinha saido para pagar umas contas no banco e ia pegar dinheiro para mim, pensei nisso e naquele homem comigo quando ela voltasse.
Ele me drogou e me jogou em cima da cama ainda sem roupas.
Não demorou e eu escutei os gritos de Silvia dentro de casa, ele meteu uma coronhada nela e ela silenciou.
Levou meus quatro mil reais de um empréstimo que eu tinha feito e estava na minha conta, que Sílvia trazia para mim.
Quando ele se foi, jogou fora um papel com meu endereço e eu corri para ver silvinha.
Vi desesperada minha amiga sangrando desmaiada, acordei-a e em seguida chamei a polícia, que não tinha pistas nenhuma naquele momento do bandido.
Mais tarde ao sair para comprar o pão, depois da confusão, vejo o namorado de minha amiga na padaria, ele estava de mangas compridas, veio falar comigo.
Quando apertou minha mão a manga subiu um pouco, reconheci minha pulseira em seu braço, em detalhes.
Será que ele tinha algo haver com tudo que aconteceu conosco hoje de tarde? – pensei.
Voltei para contar a minha amiga o que vi, quando voltei da padaria.
O toque do silêncio.
Meu celular toca, interrompo a oração assustada, atendo ainda dentro da igreja.
Do outro lado meu primo informa que minha mãe foi levada as pressas para um hospital de emergência.
Estava orando por ela no momento da chamada, o pastor disse-me que ela estava precisando, estava numa situação muito difícil. Disse-me que ela precisava de muito apoio espiritual.
Antes, de manhã logo cedo havia levado-a de táxi a sua última sessão de quimio e rádio, mas, o médico já desanimado com a falta de progresso, desiludia-nos. Ela não sabia de nada, ainda tinha esperanças. Não ouviu quando o médico nos falou sobre seu estado de saúde.
No hospital, já quase de noite, vejo-a dar o último suspiro, segurando a mão de meu pai. Do lado da cama eu a toco, ela expira e se descontrai, com se estivesse caindo em um profundo sono.
- Minha filha ela ouviu eu contando ao Ronaldo do que o médico havia dito. Não aguentou conviver com a dor sem esperanças, e fez isso para se aliviar do sofrimento, não achei a melhor saída, mas ela procurou sua própria eutanásia. Disse-me meu pai.
De madrugada, nós três no apartamento, ainda sofrendo pela morte, após o sepultamento, conversávamos sobre como ia ser nossas vidas daqui para frente.
Meu casamento com Ronaldo está marcado, para o fim do mês, meu pai vai ter que ficar sozinho no apartamento, dávamos forças para ele suportar o início de sua vida sem mamãe.
Fui ao quarto dela, arrumar os seus objetos. Em cima da cabeceira estava o livro que ela estava lendo nos últimos meses, de mitologia pagã. Falava sobre Persépolis, Thânatos e Hades, o outro mundo, o da “morte”.
Joguei-o no lixo do banheiro, e voltei a sala para enfrentarmos uma outra vida. A vida após o sentimento da perda pela morte.
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