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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Filosofia dos Amantes.

José amava Tereza, que amava Lourdinha, que amava Rogério que amava Joaquina ..., e tomavam umas e outras, de costume.
Um ano atrás, aproximadamente, eu estava num hospital visitando minha prima, ela era portadora do HIV (terminal).
Ela estava ali muito sofrida, magra, o coro e o osso. Estava prestes a cumprir sua sina. Tinha um pouco mais dezoito anos.
Não tive coragem de abrir a boca, para consolá-la, sabia bem o motivo de ela estar naquele estado. Não encontrava um jeito para ampará-la sem odiar o que eu sabia.
Ana era uma menina linda, uma criança ainda, cursava a sexta-série quando tudo começou e a deixou assim.
Ao sair da escola numa sexta-feira, umas colegas suas lhe convidaram para ir à uma lanchonete nas vizinhanças da escola. Foram ela e mais duas amigas.
Ana pediu um hamburguer, no que foi acompanhada pelas outras, e uma jarra de suco para acompanhar.
Chega Márcio na mesa (um colega da escola) e as convida para sairem, já eram seis e meia da noite. As garotas a principio rejeitam a ideia, mas Sofia, como era mais atirada convenceu as outras a irem. O rapaz entra no carro com suas acompanhantes e saem da lanchonete para curtirem com dizia o "amigo", a noite.
Dez horas da noite, estáo todos altos pela bebida em um bar, o garoto tem uma idéia, quer apresentá-las a uma prostituta amiga sua, do bairro em que eles moravam. Já sem censura, elas topam.
Sílvia (a prostituta) vendo o estado de todos, depois de muita conversa, falou da sua vida e dos prazeres. Com o apoio de Márcio as convence a prorrogar à noite. Ia ganhar a sua grana de Márcio com isso, e Márcio ia ter uma noite cheia de aventuras.
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Tudo o que eles queriam.
Entram num chalé em uma praia longe do centro da cidade. Já rolava uma preocupação delas com suas famílias ao entrarem na casa, no que foram estas logo desfeitas pelo amigo e sua colega.
Perto da meia noite depois de um "tempinho" e algumas diversões, elas pedem para voltarem para suas casas, acabam a brincadeira e se vão.
Aquela festinha passou rápido, mas ali estava começando uma outra vida, bem longa e cheia de insanidades  para os outros, porém, cheia de muitos prazeres para eles.
Depois dali virou hábito as festinhas privê. De vez em quando entrava algum ou alguns novos convidados, mas eram logo advertidos que aquilo era sigiloso, ninguém de fora do grupo, a não ser quem eles chamassem podia ter conhecimento.
Umas "pimentinhas" também entravam, nas festinhas para dar um gostinho diferente.
Minha prima certa vez, havia uns dois anos atrás, abriu o jogo comigo, ela confiava muito em mim. Contou-me o porquê da vida dela ter se transformado em um inferno, que já não suportava mais e decidiu contar a alguém.
Agora ela estava ali. Eu a olhava e me sentia culpado de não ter dado um jeito naquela situação. Ficava sentindo as dores de ver uma pessoa, que eu amava, como se vivesse comigo, o tempo todo, dando seus últimos suspiros.
No meu egoismo, achei que ela seria capaz de ultrapassar aquele período de loucuras em sua vida. Eu mesmo já tinha tido uma experiência parecida com a dela, e tirando por mim, vi a solução só nela, por ela mesmo.
Mas, não houve recuperação.
O sepultamento, mais de seis meses após a visita foi rápido. Era um dia de muita chuva.
Eu saio com meus pais e minha família, após a cerimõnia e vejo de longe, os companheiros dela, que não participaram de perto do adeus a Ana.
Estavam na calçada reunidos conversando e chorando. Talvez vendo na cena, um retrato para não se lembrarem nas suas vidas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Adalício

Pobre Adalício, vivia deitado de dia numa colcha de retalhos estendida no chão, em um quartinho numa favela aqui pertinho de onde moro.
O homem tinha perto de 40 anos e três casamentos infelizes para se lembrar.
De noite ia aos bares na praia, guardar os carros dos grã-finos do bairro próximo ao seu.
Esperava os homens pacientemente retornarem aos seus carros, após aproveitarem bastante suas noites, jogando, bebendo ou dançando nas casas noturnas da região. Quanto mais bêbados os caras estivessem, melhor para  ele, ele pensava, a gorjeta era mais gorda.
Fez três meninos na vida.
O primeiro foi de um casamento, quando tinha 25 anos, só deu tempo do menino nascer, a mulher quando descansou, passou apenas três meses com ele, e voltou para um namorado antigo, que decidiu assumir a bonitona, mas em casas separadas, o  cara achou melhor,  para não perder a pensão pelo bebê do Adalício.
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Dizia ela que tinha se arrependido até a morte de ter se juntado com o dito cujo, pai de seu filho. Foi-se um terço do salário do homem, era a renda da mulher por direito, dizia a lei que ela empurrou nele com força.
Uns tempos depois ele variou de novo, viu uma negrinha bem roliça e pimba, apaixonou-se, outro filho, teve dois anos de convivência e mais outro terço de seu pequeno salário  foi embora. A lei era clara, um filho, um terço como uma pensão.
O homem resolveu dar um tempo, ficou quieto só namorando, sem se juntar e conviver com ninguém, apenas no seu trabalho de motorista de ônibus, já meio agoniado.
As pensões eram sagradas, os filhos só o deixavam com um terço de seu suor mensal. Não sobrava quase nada para ele.
O homem estava enlouquecendo.
Um certo dia atravessou o semáforo de um cruzamento no vermelho, para não perder tempo na corrida, ia bem ligeiro, encheu um caminhão que vinha pelo cruzamento bem no meio. O estrago foi feio. Dois rapazes que vinham sobre a lona do veiculo foram arremessados do lado, cairam com a cabeça no chão e faleceram. Uma passageira do ônibus danou a cabeça no encosto da frente e teve um derrame, morreu no hospital.
Aposentaram seu Adalício aos 36 anos, por invalidez, problemas emocionais, imperícia na profissão, foi o laudo.
Ele mudou-se da casa que morava para um quartinho de uns 70 Reais, e uns tempos depois se engraçou de uma coroa de us 40 anos. Das vizinhanças.
Foi pior, a mulher sabendo que ele tinha uma aposentadoria, disse, esse é meu, vou dar uns tratos nele, e faço um menininho para poder receber os benefícios pela criança. Dito e feito, mais um terço.
A aposentadoria, não lhe pertencia mais em nada.
Pronto, o cara como no início do nosso papo estava nesta situação, muitos namoros e três filhos, ficou sem salário, as noites lhe serviam para lhe dar o dinheiro que precisava para viver.
As mulheres, só as que ele via, descendo dos carros que guardava na rua. Cada uma mais bonita que a outra, e muita grana para aproveitar nas noites.
Adalício, o personagem, era um prisioneiro, das ciladas que armou para si mesmo.