Vinha em meu carro voltando do trabalho pela Epitácio, quando de repente passa um burro na minha frente. O animal vinha em disparada, na altura do Bairro dos Estados.
Para não bater no infeliz do animal desviei dele, estava concentrado na visão do danado e não vi um mendigo, na beira da calçada, foi de cheio no capeta que iria me prejudicar mais tarde. O burro escapou.
A sorte que pelo freio que dei, o carro já estava quase todo em desaceleraração.
O cara caiu e apenas se arranhou.
Mas enfezado da vida, pegou uma pedra e danou no para-brisa, tentando me atingir.
Quando o viu quebrado, partiu para cima, eu sai em disparada, sem nem querer saber.
Chego em casa, assustado ainda.
Vou ao banheiro, e tomo um banho demorado, para relaxar.
Já são por volta de sete horas da noite. Ponho meu pijama e vou a mesa jantar.
Ouço a campanhia tocando.
Vou até a porta e recebo toda nervosa uma delegada. Veio pela denúncia de transeuntes, que prestaram apoio ao cidadão, após o acidente, o mendigo estava todo nervoso do lado dela. Esbravejava para que ela tomasse uma atitude.
Meio tonto pela confusão, mostro o carro na garagem, com o para-brisa quebrado. E explico todo o acontecimento do início da noite.
Não deu certo, ela falou que eu não tinha testemunhas e estava errado. O mendigo tinha várias.
Vejam bem por causa de um burro, para não o matar, fui indiciado.
O mendigo está na mesma região. Sempre quando passo lá penso se não devia ter acertado aquele animal, no meio da rua. Enquanto olho o cara do mesmo jeito, na mesma situação, mas que me prejudicou, por um susto.

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