O fogo ardente deste verão fazem as nuvens de poeira circular no globo próximo a mim.
As ventas se sujam mais fáceis, com a poeira asfáltica, e quentes, além de muito abafadas. Me encho de tosses e espirros.
Uma velha passa na rua apressada, contando as pedrinhas do seu rosário feio e velho, de ela tanto orar. Balbuciando rezas.
Parece assustada com uma última notícia ouvida no rádio, depois uma amiga nossa contou-me. Sobre um estrupador de galinhas. Ela pensa nas suas, e sai se abanando com a outra mão, busca uma padaria.
Vai comprar uma garrafa de cinco litros de água, para amenizar sua grande sêde, neste dia quente.
Eu vendo a velha penso na inutilidade de seus sustos, com o que ela ouviu no seu rádio. O estrupador, tem um campo abundante, e ele só pega uma por dia.
As delas sendo magras, não lhe deviam custar tanto aperreio. Achei exageros da velhice.
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