No outro dia ele voltou. Rosto triste e abatido. Quase chorando. Notei pela fisionomia que ele não estava bem.
- O que houve Mustapha?
- Minha mãe faleceu ontem pela manhã, logo cedo. Foi enterrada à tarde. Ficamos o dia todo em agonia em casa.
- Meus pêsames Mustapha, sinto muito.
Ele prosseguiu no seu caminho. Mas continuava sempre dia-a-dia, percorrendo nossa rua. Só faltou no dia do falecimento e enterro de sua mãe.
Fui notando, que o garoto, já não se vestia do jeito de sempre. Estava com um aspecto diferente, meio maltratado. As cocadas não tinham a qualidade de antes. Algumas vezes até azedas.
Falei para ele, que o seu produto, já não estava tão bom, inclusive sua aparência. Ele disse que após o falecimento de D. Francisca, sua mãe, as coisas tinham piorado muito na sua casa. Ela era que providenciava tudo, para ele, cuidava de suas roupas e fazia as cocadas que ele por saber que eram boas, tinha muito orgulho em vendê-las. Disse ainda que sabia que o produto que vendia, já não era tão bom. Tinha consciência disso. Mas mesmo assim, sem ter gosto em fazer, por ter consciência desses problemas, continuava, pois precisava do dinheiro.
Passou-se uns dois meses, o pai de Mustapha, já tinha posto outra na casa dele. Uma criatura que chegava perto do que era D. Francisca, e o melhor, tratava muito bem os garotos, e começou a ajudar Mustapha em seu negõcio.
E, la vinha Mustapha, pela rua novamente, de roupas azuis, com sua bandejinha de tapiocas. Tudo para nós e pare ele, voltou a ser como era antes. Nossa alegria havia voltado.
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