Um dia ao passar na lagoa, lá no centro, vi uma mulher bem magra com um recém nascido no braço. O neném chorava, a mulher batia.
Fiquei triste e nervoso com aquilo.
Fui à bica, me descontrair.
Quando eu estava no tanque dos jacarés. Encostou um Mercedez, último tipo, bem pertinho de mim.
O carrão era de um verde perolado, brilhantíssimo. Pareciam, cada ponto de sua pintura ao sol, estrelas.
Uma mulher coloca primeiro seus sapatos dourados de fora, vejo por baixo da porta ela tocando o chão. Bico bem fino e pontudo.
Ela abre bem a porta, aparecem depois suas pernas, lindas, branquinhas, descobertas até pouquíssimos palmos abaixo da cintura. Numa saia curtíssima num preto que parecia uma napa luminosa.
Alguém que a observava de outro ângulo deve ter visto uma cena paradisíaca. Vi os olhos da pessoa se arregalando quando a mulher abriu a porta, os olhos dela endureceram, ficaram imóveis, pareceu ter tido um choque.
O homem que estava em sua companhia, desceu e foi até a mala. Tirou um carrinho de bebê, era outro sonho de consumo familiar. Franjinhas azuis caindo, descendo pela cobertura esverdeada, com bolinhas amarelas, ursinhos estampados, tudo muito bem almofadado.
- Venha logo docinho, nosso Rafael parece agoniado, acho que viu aquele macaquinho na jaula, tá morrendo de vontade de ver ele mais de perto - disse a sua rainha.
- Mas "bem", estou se
ntindo um cheiro tão desagradável, vindo daquilo ali. Vamos fazer ele esquecer desta idéia. Levemo-no para ver aquele pavão, lindo e cheio de cores. Olha amor, foi só falar no bicho, ele já abriu a sua cauda, que lindo! Ficou melhor ainda para nosso bebê apreciá-lo. Cheio de cores, vai chamar muito sua atenção, ele ficará maravilhado, e a jaulinha não cheira tão mal quanto aquela outra - disse o homem.
Eu não aguentei aquele palavreado cheio de romance ideal, em uma família. A conversa, me pareceu cheia de artifícios, e bem ilustrada, para uma relação, que fosse sincera.
Naquele instante, lembrei da beleza que tinha na memória. Bem infantil, eu acho.
Rosa, uma coleguinha que tinha quando eu contava apenas com doze anos, jurou me amar pela vida toda. Morava em uma esquina eu na outra, do quarteirão.
Ela tinha dezesseis na época. Era baixinha, devia medir um metro e meio de altura, eu contava com apenas doze anos, já tinha por perto de um e oitenta de altura. Dizia ela sempre que eu era belo demais, que ela não me merecia. Falava que era doida por mim.
Eu não falava isso. Apenas me dava sem palavras e provava de nossa relação intensa.
Uma vez, no frio de meu quarto, após nos amarmos ela disse que viveria na miséria ao meu lado, se fosse o caso. O princípio de nossa relação, seriam beijos, abraços e carinhos, sem fim. Que a brasa que sentíamos quando estávamos juntos, nunca se findaria. Nosso romance seria eterno.
Mas um ano depois, dessa confissão, que guardei a data na porta de meu guarda-roupa, escrevendo, Rosa morreu.
Senti todo o frio daquela perda. Uma dor de morte.
Meus olhos secaram, não chorei por ela.
Esse flash de lembrança agora, me fez gelar.
Juntando as coisas, pensei do amor, que ele precisa ser complementado por algo mais nesse mundo, com outas emoções, além de atos quentes e libidinosos de nossa condição humana. Ele em matéria bruta, em um casal, se apresenta em proveito carnal e espiritual, correlacionados com o que eles sentem do mundo (os amantes), e esquecem juntos, na cama.
O acúmulo disto, dá base para um caminho à dois. Proveitos, provas, pretenções, privações, progressos ...
Vi nas cenas de hoje que nenhuma herança de uma relação, se prolongaria neste mundo, sem complementos.
A fundação ficaria apenas no primeiro passo, não se chegaria à lugar nenhum. Nenhum docinho da vida, iria os alimentar, só com isto, brasa.
O fel, poderia azedar, estas vidas, facilmente.
A alma secaria, a carne se tornaria degenerada. O amor não vive apenas da carne, nem a carne só da carne, muito menos a carne idealizando um amor, sem viço.
A secura estava nos dois momentos que observei. Envenenados por ambientes diversos.
Fui dormir triste, lembrei dos meus doze anos, e da minha lembrança que secou também.
Fiquei triste e nervoso com aquilo.
Fui à bica, me descontrair.
Quando eu estava no tanque dos jacarés. Encostou um Mercedez, último tipo, bem pertinho de mim.
O carrão era de um verde perolado, brilhantíssimo. Pareciam, cada ponto de sua pintura ao sol, estrelas.
Uma mulher coloca primeiro seus sapatos dourados de fora, vejo por baixo da porta ela tocando o chão. Bico bem fino e pontudo.
Ela abre bem a porta, aparecem depois suas pernas, lindas, branquinhas, descobertas até pouquíssimos palmos abaixo da cintura. Numa saia curtíssima num preto que parecia uma napa luminosa.
Alguém que a observava de outro ângulo deve ter visto uma cena paradisíaca. Vi os olhos da pessoa se arregalando quando a mulher abriu a porta, os olhos dela endureceram, ficaram imóveis, pareceu ter tido um choque.
O homem que estava em sua companhia, desceu e foi até a mala. Tirou um carrinho de bebê, era outro sonho de consumo familiar. Franjinhas azuis caindo, descendo pela cobertura esverdeada, com bolinhas amarelas, ursinhos estampados, tudo muito bem almofadado.
- Venha logo docinho, nosso Rafael parece agoniado, acho que viu aquele macaquinho na jaula, tá morrendo de vontade de ver ele mais de perto - disse a sua rainha.
- Mas "bem", estou se
Eu não aguentei aquele palavreado cheio de romance ideal, em uma família. A conversa, me pareceu cheia de artifícios, e bem ilustrada, para uma relação, que fosse sincera.
Naquele instante, lembrei da beleza que tinha na memória. Bem infantil, eu acho.
Rosa, uma coleguinha que tinha quando eu contava apenas com doze anos, jurou me amar pela vida toda. Morava em uma esquina eu na outra, do quarteirão.
Ela tinha dezesseis na época. Era baixinha, devia medir um metro e meio de altura, eu contava com apenas doze anos, já tinha por perto de um e oitenta de altura. Dizia ela sempre que eu era belo demais, que ela não me merecia. Falava que era doida por mim.
Eu não falava isso. Apenas me dava sem palavras e provava de nossa relação intensa.
Uma vez, no frio de meu quarto, após nos amarmos ela disse que viveria na miséria ao meu lado, se fosse o caso. O princípio de nossa relação, seriam beijos, abraços e carinhos, sem fim. Que a brasa que sentíamos quando estávamos juntos, nunca se findaria. Nosso romance seria eterno.
Mas um ano depois, dessa confissão, que guardei a data na porta de meu guarda-roupa, escrevendo, Rosa morreu.
Senti todo o frio daquela perda. Uma dor de morte.
Meus olhos secaram, não chorei por ela.
Esse flash de lembrança agora, me fez gelar.
Juntando as coisas, pensei do amor, que ele precisa ser complementado por algo mais nesse mundo, com outas emoções, além de atos quentes e libidinosos de nossa condição humana. Ele em matéria bruta, em um casal, se apresenta em proveito carnal e espiritual, correlacionados com o que eles sentem do mundo (os amantes), e esquecem juntos, na cama.
O acúmulo disto, dá base para um caminho à dois. Proveitos, provas, pretenções, privações, progressos ...
Vi nas cenas de hoje que nenhuma herança de uma relação, se prolongaria neste mundo, sem complementos.
A fundação ficaria apenas no primeiro passo, não se chegaria à lugar nenhum. Nenhum docinho da vida, iria os alimentar, só com isto, brasa.
O fel, poderia azedar, estas vidas, facilmente.
A alma secaria, a carne se tornaria degenerada. O amor não vive apenas da carne, nem a carne só da carne, muito menos a carne idealizando um amor, sem viço.
A secura estava nos dois momentos que observei. Envenenados por ambientes diversos.
Fui dormir triste, lembrei dos meus doze anos, e da minha lembrança que secou também.
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