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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O toque do silêncio.

Meu celular toca, interrompo a oração assustada, atendo ainda dentro da igreja.
Do outro lado meu primo informa que minha mãe foi levada as pressas para um hospital de emergência.
Estava orando por ela no momento da chamada, o pastor disse-me que ela estava precisando, estava numa situação muito difícil. Disse-me que ela precisava de muito apoio espiritual.
Antes, de manhã logo cedo havia levado-a de táxi a sua última sessão de quimio e rádio, mas, o médico já desanimado com a falta de progresso, desiludia-nos. Ela não sabia de nada, ainda tinha esperanças. Não ouviu quando o médico nos falou sobre seu estado de saúde.
No hospital, já quase de noite, vejo-a dar o último suspiro, segurando a mão de meu pai. Do lado da cama eu a toco, ela expira e se descontrai, com se estivesse caindo em um profundo sono.
sozinha
- Minha filha ela ouviu eu contando ao Ronaldo do que o médico havia dito. Não aguentou conviver com a dor sem esperanças, e fez isso para se aliviar do sofrimento, não achei a melhor saída, mas ela procurou sua própria eutanásia. Disse-me meu pai.
De madrugada, nós três no apartamento, ainda sofrendo pela morte, após o sepultamento, conversávamos sobre como ia ser nossas vidas daqui para frente.
Meu casamento com Ronaldo está marcado, para o fim do mês, meu pai vai ter que ficar sozinho no apartamento, dávamos forças para ele suportar o início de sua vida sem mamãe.
Fui ao quarto dela, arrumar os seus objetos. Em cima da cabeceira estava o livro que ela estava lendo nos últimos meses, de mitologia pagã. Falava sobre Persépolis, Thânatos e Hades, o outro mundo, o da “morte”.
Joguei-o no lixo do banheiro, e voltei a sala para enfrentarmos uma outra vida. A vida após o sentimento da perda pela morte.

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