Pode pequisar aqui !!!

Pesquisa personalizada

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sumindo no além da branca névoa do horizonte.

Eu, bem devagar, admirava com muita sensibilidade toda aquela bela paisagem, caminhando. Aquilo tudo era muito novo em minha mente. Nunca estivera antes em um local, como aquele.
A névoa dominava o ambiente. Era um claro matinal, frio, com odores deliciosos, ainda sem a presença do sol.
Levantei, ainda vendo a cena fui ao banheiro.
Após a higiene, antes do café, sentei na minha escrivaninha de mogno, e iniciei esta estória que ocorreu em meu passeio, no sonho.
No caminho, durante o passeio encontro um garoto franzino deitado no chão - comecei assim a narração:
- Menino levanta. Estais ai deitado há muito tempo. Estava aqui te olhando. O que faz você aí neste chão frio?
- Desculpa moço, olha a cabeça do meu dedo do pé. Está roxa. Não consigo caminhar. Estou deitado esperando a dor passar.
- Meu filho, veja bem, esta situação tende a piorar. Onde você reside?
- Desculpa moço, não moro em lugar nenhum. Estou só de passagem, no seu sonho. Vou me levantar, procurar um local onde possa descansar um pouco, estou com muito sono. Meu dedo está latejando, minha cabeça dói, sei lá, tá meio ruim, mas vou levantar.
O garoto levantou e se foi caminhando normalmente até sumir no horizonte, mancando um pouco, e coçando a cabeça. Fiquei acompanhando ele sumir, bem longe.
Esta estória se passou naquele lugar em que eu me encontrava no inicio desse texto. O aroma daquele ambiente, ainda carrego comigo. Cheirava a flores silvestres, e era frio, mas era agradável o clima de lá.
Deixo a escrivaninha e vou fazer meu desjejum.
A diarista chegou, enquanto eu comia, sentou-se comigo na mesa, chorando.
- Seu Ivan, não posso trabalhar hoje, estou desesperada.
- Que foi Madalena? Você está com um aspecto desfigurado, foi grave ... - eu disse a ela preocupado.
- Sim senhor. Eu causei um acidente grave, sem querer. Isso está me doendo na alma.
- Nossa ! Não posso crer em uma coisa dessas. Você ?
- Sim, eu. Sexta-feira fui com minha filha comprar umas frutas na feira. Aproveitei e comprei uma peça de carne. O rapaz da banca, estava ocupado, meu conhecido ele. Eu me adiantei e fui cortar um pedaço para mim. Alfredo me deu uma faca, cortei, deu quase um quilo, paquei e voltei apressada. Estava caminhando de volta, quando um garoto tenta me tirar o pacote, puxando com força da minha mão. Eu seguro e puxo de volta com muita força. O menino franzino se desequilibra, e bate com a cabeça no meio fio, desmaiando. Levei ele ao atendimento de emergência, num taxi, por isso não vim para sua casa, como de costume. Fiquei o sábado e o domingo com ele.
- Nossa !
- Ele passou três dias internado, faleceu ontem. O médico disse que ele ia morrer de todo jeito, pois estava com tétano no dedo. Uma ferida feia, seu dedo estava roxo. Desnutrido como era, a infecção se alastrou ligeiro, durante a internação.
Me lembrei do garoto de minha estória, que não se levantava com uma ferida na cabeça do dedo. Contei a Madalena. Ela me olhou séria. E se foi. Ela era meio cismada comigo, me achava esquisito, como se eu carregasse algo ruim em mim. Tipo premonições, sortilégios, advinhações.
Ela ia vir aqui na sexta-feira, não deve ter vindo por conta deste caso.
Acho que o garoto do sonho, quis me dizer algo, querendo me falar o motivo de ela não ter vindo trabalhar na sexta-feira. Talvez ele tenha partido deste mundo, naquela hora em que eu olhava ele se afastando, no horizonte, sumindo longe.
Madalena, me telefonou de noite. Me disse que tinha passado o dia orando, e que se sentia melhor, mais conformada, com o infortúnio do acidente. Que eu não ficasse preocupado com ela, que já estava bem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário