Haviam dois rios na minha cidade, que iam dar no mar.
A flor que boiava descendo em um era dourada.
A flor que boiava descendo em outro era encarnada.
Eu via aquilo, mas não entendia, como elas só desciam cada uma, de cada cor, em cada rio, até ir dar no mar. Fenomenal aquilo para mim, achava bonito, sem explicação.
Eu quando queria ver as flores, tinha que andar muito, pois os rios ficavam distantes, um do outro, desembocando no mar.
Passei anos admirando, as flores descendo o rio, a cada primavera. Era um espetáculo da natureza para mim, ano após ano.
Eu já adulto ainda ia ver o show, todos os anos.
Um empresário veio de fora da cidade, eu lhe mostrei a beleza única da cidade. Ele viu lucro e resolver trabalhar.
Fez propraganda em todos os lugares, perto e longe de minha cidade. E então a cidade perdeu a paz.
Eram pessoas e grupos de todo tipo, de todos os lugares que vinham ver a descida das flores diferentes nos rios.
Inventaram até uma festa, para que todos dançassem e bebessem, em três dias, brindando o espetáculo das flores.
Cientistas, religiosos, céticos, turistas. Achavam muito diferente cada tipo de flor descer cada uma em seu rio.
Alguem, dentre os visitantes, teve a idéia de ir ver lá onde nascia o rio, para entender e dar explicação aquilo.
O nascedouro dos rios era um local distante do mar, da nossa cidade. e de difícil acesso.
Lá em cima de onde iniciava a descida das águas, viu que ambos os rios nasciam aos pés de uma única árvore, de onde brotava os dois tipos de flores. O sol tocava a arvore de um lado de manhã e do outro lado de tarde. O rio que nascia de um lado levava uma cor, e do outro levava a outra.
A dourada vinha do nascente, a vermelha do poente.
Explicada a diferença, o espetáculo ficou ainda mais famoso, no mundo todo.
Só não houve explicação para a árvore.
Que árvore tinha este poder, de ao sol do nascente e ao poente, produzir esta mudança, na cor de suas flores?
Restava, identificar a árvore.
O empresário, resolveu depois que soube, da causa do fenômeno, plantar a árvore numa grande cidade, com mais estrutura, para o show. Projetou levá-la inteira, e replantar, em um local especialmente preparado para o espetáculo.
O rico homem, a levou, e ninguem viu. A operação foi rápida.
Nós só tomamos conhecimento, pela televisão, quando começaram a surgir as propagandas do novo local do show da nossa grandeza única de cada nova primavera.
Os rios continam correndo na minha cidade, descendo, sem as flores, para o mar.
A árvore morreu na terra que o empresário a levou, longe dos rios de nossa cidade, ela não se acostumou e morreu,sem flores, folhas e frutos, sobraram só galhos, secos.
Este ano subi, fui até a nascente, há um broto nascendo. Vai levar um tempo, para saber e ver se o nosso espetáculo primaveril anual. ùnico no mundo todo, vai continuar.
Imagens residuais de um local distante.
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Uma praça bem iluminada no centro de uma metrópole, tinha um holofote que
apontava um cupido, por cima das copas das árvores, ao redor da imagem, no
alto...
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